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Casos de coronavírus no Brasil serão 5 mil daqui a 8 dias, dizem cientistas

Pesquisadores brasileiros alertam para um aumento de 2,4 mil% na quantidade de infectados

Vanessa Centamori Publicado em 18/03/2020, às 10h12

Teste de coronavírus dá positivo
Teste de coronavírus dá positivo - Divulgação

Segundo um novo estudo, realizado pelo Núcleo de Operações e Inteligência em Saúde (Nois), composto por cientistas da PUC-RJ, Fiocruz e Instituto d'Or, o dia 26 de março será marcado por um dado insólito: o número de casos de coronavírus no Brasil serão 5 mil, sendo a maioria em São Paulo. Isso representa um aumento de 2,4 mil %, ou 25 vezes. 

Na possibilidade mais otimista, o Brasil terá  2.314 casos em 26 de março; já na hipótese mediana, 3.750. Atualmente, 68% dos casos estão concentrados em São Paulo. Em um cenário mediano, a previsão para o estado é que o número de infectados alcance 2.550 (variação de 1.573 a 3.380). No Rio, por sua vez, a estimativa fala em 450 casos dentro de dez dias (variando de 278 a 596). 

Para chegar nesses números, os cientistas partiram do cenário do dia 15 de março, quando eram 200 casos confirmados no país. Para se ter uma ideia, ontem, dia 18 do mesmo mês, Secretarias estaduais de saúde contabilizaram 350 infectados em 17 estados e no Distrito Federal. Último balanço oficial do Ministério da Saúde apontou ainda 291 casos de coronavírus.

Coronavírus visto na microscopia / Crédito: Divulgação 

 

Os cientistas brasileiros criaram a estimativa para os próximos dias com base na evolução da pandemia em países com maiores números de infectados pelo coronavírus, como a China, Itália, Irã, Espanha, França, Alemanha, Estados Unidos e Coreia do Sul.

Para conseguir decidir qual seria o melhor cenário, o pesquisadores fizeram a previsão do Brasil com base nos dados da Coreia do Sul. Por outro lado, para o pior cenário, eles consideraram que a evolução da curva seria similar à do Irã e Itália.

"A gente separou os países em grupos com comportamentos semelhantes e reproduzimos o comportamento do Brasil para aqueles padrões", esclareceu ao Estadão, Fernando Bozza, chefe do Laboratório de Medicina Intensiva do Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas.