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Cemitérios paulistas enterram dezenas de pessoas todos os dias com suspeita de coronavírus

Causa oficial dos óbitos depende de resultados de exames realizados no Instituto Adolfo Lutz

Fabio Previdelli Publicado em 01/04/2020, às 14h00

Imagem ilustrativa de uma cerimônia de sepultamento
Imagem ilustrativa de uma cerimônia de sepultamento - Pixabay

A demora nos resultados de exames de Covid-19, realizados no Instituto Adolfo Lutz, afetam não só as pessoas que esperam por um tratamento adequado, mas também a muitas que já morreram.

Isso porque, segundo matéria publicada pela Folha de S.Paulo, alguns cemitérios públicos da cidade de São Paulo recebem, todos os dias, entre 30 e 40 corpos de pessoas que faleceram com suspeitas de estarem infectadas, mas sem a real causa da morte estipulada — em virtude do atraso nas avaliações laborais.

Na maior parte dessas ocorrências, a equipe médica só preenche os papéis fundamentais para liberarem o sepultamento desses corpos, e continuam aguardando os resultados para comprovar a real causa da morte — apontando apenas a suspeita como coronavírus.

Até a tarde de ontem, 31, o país havia registrado 201 mortes por complicações do novo coronavírus. Só na cidade de São Paulo, o número de óbitos é de 121, sendo que a maior parte deles, 79 ocorrências, aconteceram na rede de hospitais Sancta Maggiore.

Entretanto, esses corpos que chegam nos cemitérios públicos são oriundos do sistema público de saúde, que, ao contrário da rede particular, fica dependente dos testes processados pelo Instituto Adolfo Lutz.

Com o impasse, tanto o Serviço Funerário Municipal da capital paulista quanto a Secretária de Saúde do Estado de São Paulo se negam a informar o número exato de pessoas que foram enterradas com suspeita de estarem com o novo coronavírus.

As duas entidades alegam que esse registro é interno e que os dados não serão divulgados enquanto não houver a confirmação dos testes. A matéria da Folha informou que todos os dias, em média, são enterrados 250 corpos entre os 22 cemitérios municipais.

Em alguns deles, o enterro de pessoas suspeitas de terem falecido por complicações do Covid-19, viram praxe nas últimas semanas. Entre os dias 21 e 27 de março, em média, cinco pessoas são enterradas como possíveis vítimas de coronavírus.

No cemitério da Vila Formosa, que é o maior da América Latina, só no último domingo, 29, 10 pessoas foram enterradas como suspeita da enfermidade. Funcionários administrativos de lá estimam que desde que o surto começou, mais de 200 pessoas já foram sepultadas nessas condições.

Por dia, o Instituto Adolfo Lutz recebe 1.200 novas amostras para exames. Até o início dessa semana, outros 14 mil testes estavam aguardando por resultados. Antes, o Instituto tinha a capacidade para testar 400 amostras por dia, agora, esse número subiu para 1.000 testes diários, segundo a Secretaria Estadual da Saúde.

Coronavírus no Brasil e no mundo

Segundo informações da Universidade Johns Hopkins, nos Estados Unidos, divulgados nesta quarta-feira, 01, a pandemia já havia infectado mais de 837 mil pessoas ao redor do mundo, causando 43 mil vítimas fatais.

No Brasil, as infecções já afetaram 5.717 pessoas, com 201 óbitos, segundo dados do Ministério da Saúde. Espera-se que esses números sejam atualizados na tarde de hoje, 01.