Coronavírus » Pandemia

Cloroquina não apresenta benefícios no tratamento de Covid-19, afirmam estudos

Pesquisadores ficaram intrigados desde que um estudo francês declarou que a droga era uma possível solução para o vírus

Nicoli Raveli Publicado em 13/05/2020, às 08h00

Imagem ilustrativa de um teste positivo para coronavírus
Imagem ilustrativa de um teste positivo para coronavírus - Divulgação

 As informações sobre a utilização da cloroquina no combate aos efeitos do novo coronavírus tem intrigado alguns pesquisadores desde março de 2020, quando foi publicado um estudo francês pela infectologista Didier Raoult.

Nele, a especialista relatava que o medicamento era uma possível solução para o vírus. Ao mesmo tempo, políticos como Donald Trump e Jair Bolsonaro passaram a exaltar o uso do medicamento como forma combater o vírus. 

No entanto, pesquisadores da Universidade de Albany, em Nova York, analisaram o desenvolvimento do covid-19 em 1.438 pacientes de 25 hospitais do estado. A partir do resultado, os cientistas relataram que a taxa de mortalidade de pessoas que tomaram a hidroxicloroquina não é divergente dos que não dispuseram do medicamento. Ademais, a porcentagem continua a mesma quando o remédio é misturado com o antibiótico azitromicina.

Não obstante, acredita-se que os pacientes que foram medicados com essa mistura foram colocados em risco, já que apresentavam uma chance maior de sofrer uma parada cardíaca.

A pesquisa - que foi publicada na revista Journal of the American Medical Association – não foi a última a ser realizada, já que foi baseada somente nos resultados de pessoas que receberam ou não o medicamento.

Outras pesquisas

Um segundo estudo realizado no Presbyterian Hospital, em Nova York, chegou a uma conclusão similar. Ao analisar 1.376 pacientes, que dispuseram ou não da droga e que tinham o quadro de moderado a grave, os cientistas afirmaram que não há relatos de que a utilização da hidroxicloroquina diminua as chances de entubação ou morte.

Já em outros estudos de maior credibilidade, o método é diferente. Os pacientes contaminados são escolhidos aleatoriamente para a análise: parte deles recebe o medicamento, enquanto a outra, recebe placebo. Posteriormente, existe a comparação da taxa de mortalidade entre os dois grupos.

Como nenhuma verificação comprovou a validez do medicamento, diversas pesquisas ainda estão sendo realizadas pelas das universidades de Washington e Nova York, além de outras ao redor do mundo.