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Com quarentena, poluição em São Paulo caiu em 50%, revela estudo

Pesquisa avaliou mudanças na capital paulista durante o período de uma semana

Vanessa Centamori Publicado em 08/06/2020, às 17h23

Imagem ilustrativa de poluição
Imagem ilustrativa de poluição - Pixabay

Durante o período de uma semana, a quarentena contra o coronavírus na cidade de São Paulo fez com que a poluição caísse na capital paulista em 50%. É o que indica um levantamento da Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb). A pesquisa foi divulgada pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de SP (FAPESP).

Os dados atmosféricos considerados foram os disponibilizados entre as semanas do dia 15 a 21 e 22 a 28 de março. A quarentena começou na cidade no dia 24 daquele mês, portanto, ficou vigente durante o estudo. Recentemente, porém, a reabertura já foi iniciada, no dia 1 de junho, pelo Plano São Paulo, do governo estadual. 

Explicação para a queda de poluentes 

Os especialistas do estudo brasileiro relacionaram a queda do número de veículos nas ruas durante a quarentena à uma diminuição nos níveis de poluentes. Chamou a atenção dos pesquisadores duas principais substâncias nocivas cujas concentrações caíram. 

Foram elas o monóxido de carbono (emitido pelos carros, em geral) e os óxidos de nitrogênio, que são provenientes de veículos a diesel. Com menos carros circulando, menor foi a quantidade de emissão desses dois gases, segundo os especialistas. 

Essa hipótese é muito plausível para explicar a questão, segundo Fabrício Bau Dalmas, professor no Mestrado em Análise Geoambiental da Universidade Guarulhos (UNG). Em comunicado, ele também citou os possíveis danos ligados à poluição causada pelos automóveis. 

"O material particulado lançado ao ar em virtude da queima de combustível dos veículos automotores é um poluente crítico e imperceptível ao olho nu. Este poluente afeta o pulmão e pode causar asmas, bronquite, alergias, além de outras graves doenças cardiorrespiratórias, podendo ocasionar óbitos", disse o especialista.  

Camada de poluição na capital paulista / Crédito: Divulgação 

 

Controvérsia

Embora a poluição seja uma grande questão de saúde pública, e o estudo da Cetesb sirva como referência, há ainda a necessidade de avaliar períodos mais longos do que de duas semanas. Foi isso que informou à FAPESP a pesquisadora Maria de Fátima Andrade, do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas da USP (IAG-USP). 

De acordo com Andrade, o ideal mesmo seria considerar diferentes anos de dados de poluição e não só de um período pequeno de março.

"Quando se analisam os dados de março de 2019, observa-se que, em função de ter sido um mês chuvoso, as concentrações também não estavam tão altas. A chuva é o principal mecanismo de remoção de poluentes da atmosfera”, explicou ela, ao ressaltar que as comparações ainda serão melhoradas pelos pesquisadores da IAG.