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Com suspeita de coronavírus, mulher morre em seu próprio apartamento após ter atendimento recusado

Durante a ligação equipe médica afirmou que a britânica, Kayla Williams, não era uma prioridade

Penélope Coelho Publicado em 26/03/2020, às 13h30 - Atualizado às 14h20

Imagem ilustrativa de uma mulher fazendo uma ligação telefônica
Imagem ilustrativa de uma mulher fazendo uma ligação telefônica - Divulgação/Unsplash

Kayla Williams, 36 anos morava em Peckham, sul de Londres. A mulher morreu no último sábado, 22, um dia depois de telefonar para o serviço de emergências, apresentando sintomas graves de Covid-19.

O marido de Kayla, Fabian Willams, disse ao jornal The Guardian que sua esposa estava com tosse, febre alta, fortes dores no peito e no estômago, na sexta-feira, 20. Quando ligaram para a emergência, ela foi orientada a se cuidar em casa, já que não estava no grupo de risco.

A mãe de três filhos começou a passar muito mal e paramédicos foram encaminhado até sua casa, mas, os profissionais disseram ao marido de Kayla, que sua entrada não seria admitida no hospital, devido ao grande número de pessoas, e ela não se encaixava nas prioridades.

A condição da mulher piorou ainda mais no dia seguinte e seu marido decidiu levá-la ao pronto-socorro de qualquer forma. Ele foi tomar um banho e trocou de roupa, quando voltou, encontrou a esposa caída: "Ela já estava morta", disse o homem ao The Guardian.

Kayla Williams de 36 anos / Crédito: Divulgação

 

Depois da tragédia

Logo após a triste notícia, uma ambulância chegou à residência do casal, as equipes de emergência tentaram reverter a situação, sem êxito. Horas mais tarde, a polícia esteve no local, mas não adentrou o apartamento. O corpo de Kayla foi embrulhado em lençóis antes de ser colocado num saco para ser retirado de sua casa.

Fabian é diabético, e está no grupo considerado ameaçado pelo o Covid- 19, a única orientação que ele recebeu das autoridades foi a de que se isolasse. A mulher faleceu aos 36 anos, deixando o marido e três filhos.

Grupos de risco

Nos Estados Unidos, um relatório divulgado em 18 de março pelo Centro de Controle e Prevenção de Doenças, mostrou que, dos 508 pacientes hospitalizados no país por coronavírus, cerca de 40% tinham abaixo de 54 anos. Desse total, 20% tinham entre 20 e 44 anos. Mas, os idosos acima de 65 anos eram a maioria dos mortos, cerca de 80%. No Reino Unido, são mais de 8 mil casos positivos para o vírus, e o número de mortes é de 422, segundo as últimas estatísticas divulgadas ontem, 25.