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Coronavírus pode estar presente em morcegos há cerca de 60 anos, revela estudo

A pesquisa sugere que uma linhagem do vírus já circula entre os animais em um período muito maior do que se pensava anteriormente

Penélope Coelho Publicado em 03/08/2020, às 10h24

Imagem meramente ilustrativa de morcegos
Imagem meramente ilustrativa de morcegos - Wikimedia Commons

Antes de infectar os seres humanos causando uma pandemia mundial, o novo coronavírus já estava em circulação entre os morcegos por cerca de 50 ou 60 anos. É o que diz um novo estudo publicado em 28 de julho pela revista científica Nature Microbiology.

Para entender a origem do vírus conhecido como SARS-CoV-2 e compreender como se deu sua contaminação, os especialistas traçaram sua história evolutiva através dos genes do agente infeccioso. A partir disso, identificaram uma linhagem ancestral em comum encontrada em outro vírus chamado RaTG13 — localizado em morcegos de Yunnan, na China.

“A linhagem SARS-CoV-2 circulou em morcegos por 50 ou 60 anos antes de pular para os seres humanos. Alguém ficou muito azarado e entrou em contato com o SARS-CoV-2, o que provocou uma pandemia”, afirmou Maciej F. Boni, professor da Universidade Estadual da Pensilvânia e um dos líderes da pesquisa.

Para os especialistas, é possível que o coronavírus tenha surgido após o contato humano com esses animais infectados, entretanto, eles também não descartam a possibilidade de uma infecção por parte dos pangolins — um animal semelhante ao tatu bola. Contudo, determinar com convicção como o novo coronavírus se espalhou ainda é algo difícil devido as chamadas recombinações genéticas do vírus.