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Coronavírus: Sem unidades de tratamento, indígenas precisam que pegar aviões para se tratar em Manaus

Os esforços são do Estado do Amazonas, que foi um dos primeiros no Brasil a sentir o forte impacto da crise na saúde por conta da Covid-19

Caio Tortamano Publicado em 19/05/2020, às 16h00

Imagem ilustrativa de avião sobrevoando floresta
Imagem ilustrativa de avião sobrevoando floresta - Pixabay

O Amazonas é um dos estados que está mais sentindo os efeitos colaterais da crise do novo coronavírus, com hospitais superlotados e falta de equipamentos. A situação é tão grave que tem atingido povos indígenas nas regiões mais remotas da Amazônia.

Os pacientes em estado grave nesses lugares estão sendo transferidos de avião para as únicas unidades de terapia intensiva na região, em Manaus. Edson Santos Rodrigues, pediatra que trabalha nessas operações de transporte aeromédico, disse que muitas vidas são perdidas pois eles não conseguem pousar em pistas sem luz — maioria no interior da floresta.

De acordo com informações da Secretaria Especial de Saúde Indígena, 23 indígenas tiveram mortes confirmadas em decorrência da Covid-19. Entre elas, todas eram de regiões remotas, sendo 11 na fronteira entre Colômbia e Peru.

Outra instituição, a Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (APIB), é responsável por contabilizar os casos de coronavírus em indígenas que migraram para centros urbanos, e não são englobados nas contas da Secretaria Especial. A APIB afirma que 75% dos casos de indígenas em todo o Brasil se encontram na Amazônia.