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Desesperados, africanos esvaziam supermercados com medo do Coronavírus

“E como se estivessem se preparando para a guerra”, afirma um comerciante de Ruanda

Paola Churchill Publicado em 17/03/2020, às 14h30

Prateleiras vazias dos supermercados africanos
Prateleiras vazias dos supermercados africanos - Wikimedia Commons

Nesta terça-feira, dia 17, consumidores lotaram mercados por toda a África. A medida tomada seria pelo medo da população sobre o COVID-19, que começou a se espalhar pelo mais pobre continente do mundo.

Da África do Sul ao Senegal, longas filas serpenteavam fora dos estabelecimentos, enquanto os consumidores — que usavam proteção, como máscaras e luvas — estocavam o essencial para a saúde e alimentação.

Com isso. os preços dos alimentos subiram em alguns lugares, embora que, em Ruanda, os comerciantes tentassem controlar os custos das mercadorias mais básicas.  Um dos comerciantes do país, que não quis ter seu nome divulgado, revelou em entrevista à Reuters que os preços subiram, mas que mesmo assim a população continua comprando mantimentos “É como se as pessoas estivessem se preparando para a guerra".

Inicialmente poupados quando o vírus atacou a China, atualmente, pelo menos de 30 países africanos já relataram mais de 400 casos da doença. Para os cidadãos mais pobres, focados na sobrevivência do dia a dia, fazer estoque de produtos foi um privilégio no qual não podiam participar.

Para tentar conter a inflação dos preços, o governo Ruandês, que tem sete casos confirmados até o momento, fixou os preços dos produtos a serem vendidos, tais como, arroz, açúcar e óleo de cozinha, mas não especificou o que acontece com as inflações dos preços.

Famílias desesperadas tentam se aglomerar para conseguir algo, muitos fazem esforços para conseguir comprar suprimentos, apesar do orçamento apertado e o aumento dos valores das mercadorias.

Vários países africanos cancelaram voos e fecharam suas fronteiras como maneiras protetivas para conter a pandemia. Desde o último domingo, dia 15, até agora, os 30 países já confirmaram casos do coronavírus.