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Devastação da Amazônia pode gerar desequilíbrio ecológico e se tornar foco de pandemias, afirma pesquisador

Com a intervenção humana, doenças originárias de florestas, a Covid-19 e o ebola, podem ser disseminadas para fora das matas

Wallacy Ferrari Publicado em 14/05/2020, às 13h05

Imagem aérea de queimada localizada no território da mata amazônica
Imagem aérea de queimada localizada no território da mata amazônica - Arquivo

Doenças provenientes de mutações genéticas de animais selvagens originaram diversas epidemias por todo mundo na história recente do planeta. A ligação do HIV e o ebola com os macacos; e o novo coronavírus com os morcegos externam a necessidade de manter a fauna saudável para que não haja uma intervenção nos sistemas do meio ambiente.

Em entrevista à AFP, o pesquisador do Centro de Pesquisas Meteorológicas e Climáticas Aplicadas à Agricultura da Unicamp, David Lapola, explicou os perigos da degradação de áreas preservadas na floresta. De acordo com o cientista, “a Amazônia é um potão de vírus”, referindo-se à diversidade de mutações que podem ser disseminadas com o desequilíbrio ecológico.

Lapola é formado em ecologia e explica a necessidade de proteger a floresta e assegurar sua manutenção natural: “Primeiro a gente tem que atacar essa crise sanitária e todo o esforço tem que ir para isso (…) Mas é preocupante porque a gente está tendo um aumento muito expressivo agora, não sendo ainda a estação de desmatamento”.

Lapola acrescentou que, pela biodiversidade presente na Amazônia, a região pode ser “o maior repositório de coronavírus no mundo”, e por isso, é necessário refundar a relação da sociedade com as florestas: “É um processo muito complexo pra gente poder prever, é melhor usar o princípio da precaução e não testar muito a nossa sorte”.