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Grávida morre por complicações de Covid-19 no hospital após reclamar de descaso

"Toda hora ficam dizendo 'Ela veio para cá porque quis’”, relatou Taíse Santos, técnica em enfermagem que sofreu uma parada cardíaca; ela havia pedido para ser transferida para UTI

Fabio Previdelli Publicado em 02/06/2021, às 09h59

Taíse Santos, que estava grávida de 7 meses
Taíse Santos, que estava grávida de 7 meses - Divulgação/TV Bahia

Na última sexta-feira, 28, a técnica de enfermagem Taíse Santos, de 35 anos, grávida de sete meses, deu entrada na UPA de San Martin, em Salvador, na Bahia, por ter dificuldades para respirar — por lá, segundo a TV Bahia, filiada da TV Globo, ela recebeu o diagnóstico positivo para Covid-19.

Acontece que, no sábado, 29, Taíse morreu devido a uma parada cardíaca, uma complicação causada pelo novo coronavírus. Antes disso, a técnica em enfermagem reclamou, por mensagens de whatsapp, que estaria sofrendo descaso por não ter sido encaminhada para um leito na Unidade de Tratamento Intensivo (UTI) da unidade.

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Conversa que Taíse teve com sua sogra/ Crédito: Divulgação/TV Bahia

"Se não me intubarem hoje, amanhã vou pedir pra sair por conta própria e vou pra maternidade", escreveu durante uma troca de mensagens na madrugada com sua sogra, Eliane Pereira.

"Toda hora ficam dizendo 'Ela veio para cá porque quis, então é por conta dela'", relatou a grávida em outro momento da conversa, se referindo ao suposto caso de descaso que sofreu dos profissionais que trabalhavam na UPA.

Poucas horas depois da conversa, na manhã do sábado, Taíse acabou sofrendo uma parada cardíaca e não resistiu. Segundo informa o UOL, um médico do SAMU foi chamado ao local para tentar socorrer ela e o bebê.

“Não sai da cabeça ainda a imagem, ficou durante o dia, na hora de dormir, ao acordar. A morte de Taíse era completamente evitável. Ela só precisa de um leito de UTI naquele momento”, relatou à TV Bahia o médico Uemerson Araújo, que optou por fazer o parto forçado do bebê.

O marido de Taíse, Wilson Pereira, agradeceu os esforços do médico. "Se não fosse pelo médico do Samu, que chegou na hora, minha filha Maria Isabel não estaria viva nesse momento".

Em contrapartida, mostrou indignação com a maneira que sua esposa foi tratada na UPA. "Ali não é brinquedo de parquinho pra ninguém ir lá querer passear", rebateu sobre as falas que Taíse relatou por conversa. "Ninguém vai para a UPA por vontade própria procurar ajuda”.

Um dia depois da tragédia, no domingo, 30, Taíse Santos foi sepultada no Cemitério Quintas de Lázaro.