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Grupos antivacina aproveitam a pandemia do novo coronavírus para espalharem notícias falsas, diz estudo

Levantamento feito por um grupo da USP de Ribeirão Preto mostra que esse tipo de publicação pode ser nocivo à saúde

Fabio Previdelli Publicado em 02/04/2020, às 09h00

Grupos antivacina espalharem notícias falsas sobre Covid-19
Grupos antivacina espalharem notícias falsas sobre Covid-19 - Creative Commons

Grupos antivacina aproveitam a pandemia do novo coronavírus para espalharem notícias falsas sobre a Covid-19 nas redes sociais. Isso foi o que evidenciou um levantamento feito pela União Pró-Vacina, projeto criado por instituições de pesquisa e acadêmicas da USP de Ribeirão Preto.  

A técnica utilizada por esses grupos continua sendo a mesma: a distorção de fatos científicos e jornalísticos para propagar teorias conspiratórias que vão desde falsas curas para o vírus — usando produtos tóxicos para humanos — até a insinuação de que a pandemia é uma arma biológica produzida pela China, ou coisas do tipo.

Entre as informações mais difundidas estão as postagens falsas que alegam que vacinas gripais seriam as principais responsáveis pela propagação do novo coronavírus, assim com o uso de frequências de cobre ou de zappers — pseudo antibiótico eletrônico — seriam métodos combativos do Covid-19.

A analise aconteceu entre 213 postagens publicadas entre os dias 15 e 21 de março em dois dos maiores grupos antivacina do Facebook: O Lado Obscuro das Vacinas e Vacinas: O Maior Crime da História — no qual o primeiro deles atua há mais de cinco anos.

O grupo de pesquisa da USP notou que esses grupos chegam a publicaram 30 vezes por dia em cada grupo — sendo que no dia 21 de março, esse pico de notícias falsas chegou a 43 posts. Cada um dos grupos reúne cerca de 20 mil pessoas, entretanto, apenas uma pequena parcela delas realiza publicações por lá: por volta de 58, sendo que 2 membros fizeram 87 postagens em uma semana, cerca de pouco mais de 40% do volume total do grupo.

Apesar do grupo focar no negacionismo de estudos e provas cientificas sobre os meios e benefícios da vacinação, alguns membros aproveitaram o período para disseminar falsas notícias sobre o novo coronavírus — com mais de 60% do volume de publicações sobre essa temática.

A pesquisa também aponta que o período coincide com o espaço de tempo em que o Google teve um aumento em busca de informações sobre a Covid-19. Entretanto, não foi só as publicações que tiveram um aumento de volume nesse intervalo, as interações — curtidas, comentários e compartilhamentos — também aumentaram.

Um dos posts com mais interação foi sobre o uso da Mineral Miracle Solution (ou, solução mineral milagrosa) — produto semelhante à água sanitária, utilizada como alvejante—, para o combate do vírus. Vale ressaltar que o consumo do produto — por via oral ou pelo reto — pode acarretar em lesões intestinais; em vômito, diarreia e desidratação; e em até quadros de insuficiência renal e anemia.

Portanto, o correto é sempre consultar informações de fontes oficiais, como o Ministério da Saúde e a Agência Nacional de Vigilância Sanitária, a Anvisa. Mais informações sobre a União Pró-Vacina podem ser consultadas na página do projeto no Facebook.

Coronavírus no Brasil

Segundo dados do Ministério da Saúde, publicados na tarde de ontem, 02, o Brasil já apresenta 6.836 casos de infectados pelo Covid-19, tendo ocorrido 240 mortes por complicações do novo coronavírus. A atualização dessas informações deve ocorrer em coletiva na tarde de hoje.