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Indígenas da Bahia reprovam o desamparo de Bolsonaro na contenção do coronavírus

Indígena da aldeia Coroa Vermelha está isolada com sintomas da doença

Penélope Coelho Publicado em 20/03/2020, às 11h45

Retrato de indígenas brasileiros
Retrato de indígenas brasileiros - Getty Images

Uma índigena Pataxó, da aldeia Coroa Vermelha, localizada em Santa Cruz Cabrália, no sul da Bahia, trabalha como camareira em um hotel da região, e recentemente teve contato com turistas estrangeiros. A mulher começou a apresentar sintomas de coronavírus, como: febre, tosse seca e cansaço.

Ela aguarda isolada dentro da aldeia os resultados dos exames que fez após procurar uma unidade de saúde pública na segunda-feira, 16. A resposta está prevista para vir no sábado, 21.

Outra índigena da aldeia apresentou sintomas, mas segundo a superintendente de Vigilância em Saúde da prefeitura, Paula Aragão, ela não se encaixava nos padrões para realizar os exames, por não ter tido contato confirmado com pessoas infectadas, ou, estrangeiros.

Coroa Vermelha é a maior das oito aldeias dos Pataxó em Santa Cruz Cabrália, sua população chega a 5 mil indígenas, que costumavam receber visitas de turistas nas praias diariamente. "Eles já estão se fechando para não receber mais”, afirma Juari Braz Pataxó, secretário de Assuntos Indígenas de Santa Cruz Cabrália. 

Mesmo antes da pandemia de coronavírus, a situação dos indígenas já era preocupante: “Como lidar com essa situação em um momento em que falta transporte para os pacientes e o governo não apoia a Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai)?”, indaga Juari Pataxó. No ano passado, o governo Bolsonaro promoveu cortes orçamentários na Sesai, que, juntamente com a suspensão programa Mais Médicos, gerou um grande problema na situação da saúde indígena em todo o país.

“As equipes de saúde não têm máscaras, macacão e os insumos necessários para impedir que o coronavírus se propague em área indígena”, afirma o advogado e membro da coordenação executiva da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib), Dinamam Tuxá. Sem muito apoio, a estratégia deles agora é que todos fiquem na aldeia, sem ir à cidade mais próxima, Novo Progresso, restringindo o contato e proibindo a entrada e não-indígenas nas comunidades.