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Mutação deixou o Sars-Cov-2 mais transmissível, aponta estudo

Entretanto, apesar do microrganismo se replicar mais facilmente, sua letalidade permanece a mesma

Fabio Previdelli Publicado em 04/07/2020, às 14h00

Imagem do Coronavírus em microscópio
Imagem do Coronavírus em microscópio - Divulgação

De acordo com um estudo publicado na revista científica Cell na última quinta-feira, 2, que foi liderado pela Universidade Duke, o Laboratório Nacional Los Alamos e o Instituto La Jolla (LJI), ambas instituições americanas, uma variante do novo coronavírus, chamado de G614, dominou a maioria dos casos de Covid-19 ao redor do mundo.

A pesquisa mostra que uma mutação ajudou o Sars-Cov-2 a se replicar, aumentando a carga viral nos pacientes e, assim, o deixando mais transmissível. Entretanto, sem aumentar sua letalidade.

Para chegar a esse resultado, os cientistas analisaram duas variantes do vírus — G614 e D614 — que circulava em meados de março entre pacientes de San Diego, na Califórnia. Assim, foi possível identificar que o vírus que carregavam a mutação G na proteína spike (que o possibilita entrar em nossas células) são entre duas e três vezes mais eficientes em se replicar, o que resulta em uma maior carga viral.

Apesar disso, outro teste concluiu que não há necessidade do organismo produzir maios ou melhores anticorpos para combater esse tipo de variação, ou seja, por mais que ele se espalhe melhor, sua taxa de letalidade continua sendo a mesma.

"Os dados clínicos de um artigo da Universidade de Sheffield mostraram que, embora os pacientes com o novo vírus G tenham mais cópias do vírus do que os pacientes infectados com o D, não houve um aumento correspondente na gravidade da doença", explicou Erica Ollmann Saphire, professora do LJI.