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Na Colômbia, 859 pessoas da mesma prisão são infectadas com Covid-19

De acordo com o diretor do presídio, Miguel Ángel Rodríguez, o local funciona com o dobro da capacidade

Nicoli Raveli Publicado em 12/05/2020, às 14h56

Superlotação em uma prisão
Superlotação em uma prisão - Divulgação

Diversos países têm adotado medidas preventivas contra a disseminação do novo coronavírus. Entretanto, há locais em que a aglomeração é um tanto quanto difícil de ser contida, como nas prisões.

Conforme divulgado pela BBC, Miguel Ángel Rodríguez, diretor de uma prisão na cidade de Villavicencio, na Colômbia, afirmou que a superlotação é a principal causa do surto de covid-19. No local, 859 presos e funcionários foram infectados.

"Como posso garantir que haja isolamento se houver pessoas dormindo debaixo das camas e nos banheiros?”, questionou Rodríguez. Ele acrescentou ao dizer que, no início da pandemia, 1.835 pessoas ocupavam a penitenciária. Hoje, são 1.750 – já que alguns prisioneiros foram transferidos para oficinas de carpintaria - mas, o local ainda funciona com mais de que o dobro da capacidade.

Segundo o diretor, a superlotação faz com que seja impossível que o vírus não se dissemine. "As áreas que usamos para isolar (detentos) não são ideais", alegou. Além disso, Rodríguez comentou que a cadeia foi abandonada pelo governo e também enfrenta a falta de médicos.

De acordo com Lissette Cervantes, diretora de serviços penitenciários da Colômbia, os médicos da cadeia de Villavicencio desistiram de atender o local devido à falta de equipamentos adequados para tratar pacientes infectados com o novo coronavírus.

"Não é porque eles apenas sentiram o desejo ou mesmo porque estavam com medo, eles simplesmente não podem ficar desprotegidos para o que é como uma guerra (contra o covid-19)”, afirmou Cervantes.

Até o momento, a Universidade Johns Hopkins contabilizou que o país tem cerca de 11.500 casos confirmados e 479 óbitos por covid-19.