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Na Índia, médicos pedem que a população deixe de usar esterco como tratamento contra a Covid-19

Segundo os especialistas, o costume, que é praticado há séculos no hinduísmo, não tem qualquer eficácia comprovada

Pamela Malva Publicado em 11/05/2021, às 18h00

Imagem dos indianos já cobertos de esterco
Imagem dos indianos já cobertos de esterco - Divulgação/Vídeo/G1

Desde o começo da pandemia, a Índia já registrou mais de 22,6 milhões de casos de infecções por Coronavírus. Enquanto isso, cerca de 246 mil pessoas foram vítimas fatais da doença no país, sendo que os índices batem trágicos recordes todos os dias.

Agora, no entanto, os médicos da região estão enfrentando um novo desafio. Enquanto cientistas de todo o mundo defendem as vacinas para combater a Covid-19, especialistas indianos se veem obrigados a explicar para a sua população que tomar banho de esterco de vaca não irá proteger as pessoas contra a doença.

Acontece que em diversas províncias do país, como no estado de Gujarat, os indianos começaram a cobrir todo o corpo com estrume, acreditando que isso aumentaria sua imunidade, segundo o G1. Muitos, inclusive, pensam que o banho de esterco ainda seria eficaz no tratamento de pacientes já infectados pelo Coronavírus.

Tudo isso porque, no hinduísmo, os dejetos das vacas — que são consideradas animais sagrados — fizeram parte de rituais religiosos durante séculos. Para muitos religiosos, então, o esterco teria propriedades medicinais e terapêuticas.

Fotografia o município de Azadpur / Crédito: Varun Shiv Kapur/Creative Commons/Wikimedia Commons

 

Em Gujarat, as pessoas visitam currais uma vez por semana e espalham uma mistura de esterco e urina por todo o corpo. Uma vez cobertos pelos dejetos, os indianos se abraçam, realizam uma sessão de yoga, homenageiam as vacas e tomam um banho de leite, para lavar sua pele e remover a camada de estrume que secou durante o ritual.

Por mais famosa que seja na região, todavia, a prática não tem qualquer comprovação científica e sua eficácia contra o Coronavírus nunca foi atestada, de acordo com o presidente da Associação Médica Indiana, o doutor J.A. Jayalal. O especialista, inclusive, reforça que o costume pode gerar ainda mais problemas para além da Covid-19.

"Há risco à saúde ao usar esses produtos", explicou o médico. "Doenças dos animais podem contaminar os humanos." Isso tudo sem contar a aglomeração formada pelos indianos durante os rituais — o que vai contra as medidas sanitárias indicadas por cientistas de todo o mundo para evitar a contaminação pelo Coronavírus.