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Norte-coreanos continuam dizendo que novo coronavírus não chegou ao país

Apesar da negativa de Pyongyang, informação é contestada pelos Estados Unidos e especialistas

Fabio Previdelli Publicado em 02/04/2020, às 15h15

Foto do ditador Kim Jong Un
Foto do ditador Kim Jong Un - Getty Images

A Coreia do Norte continua sem registrar nenhum caso do novo coronavírus. Pelo menos é isso que o país voltou a afirmar nesta quinta-feira, 2. Com a chegada do Covid-19 na Ásia, no começo de janeiro, os norte-coreanos aproveitaram a situação para se isolarem ainda mais do resto do mundo.

A primeira ação tomada pelo país foi o fechamento das fronteiras com a China, além da adoção de métodos mais rígidos de confinamento. “Adotamos medidas preventivas e científicas como inspeções e quarentenas para todas as pessoas que chegavam ao país, desinfetamos os produtos, fechamos as fronteiras e bloqueamos todas as rotas marítimas e aéreas”, disse o diretor do departamento de epidemias da Coreia do Norte, Pak Myong Su.

O governo autoritário do país, que proíbe a liberdade de expressão e imprensa, dificulta a circulação de informações sobre a real situação da nação. A incerteza também aumenta com as diferentes declarações vindas de lá.

No mês passado, o general Robert Abrams, militar norte-americano na Coreia do Norte, declarou que tinha “praticamente certeza” de que o país apresentava casos do vírus, apesar da negação de Pyongyang. O questionamento é corroborado por especialistas.

Além da China, que foi o país onde a epidemia começou, o novo coronavírus também afetou a Coreia do Sul. Por lá, a Covid-19 infectou 9.976 pessoas e matou outras 169. Quando o vírus começou a atingir um maior número de pessoas em Wuhan, a Rússia enviou mais de 1.500 kits de diagnósticos para Pyongyang, segundo informou o ministério das Relações Exteriores da Rússia.

A Organização Mundial da Saúde (OMS), também informou que pretende disponibilizar por volta de 900 mil dólares para ajudar as vítimas do novo coronavírus no país. Até mesmo o ditador Kim Jong-un indicou que a entrada do vírus no país poderia causar “sérias consequências”.