Coronavírus » Mundo

Nos EUA, cientistas desenvolvem moléculas que inativam o Sars-CoV-2

Cópias de peptídeos, os componentes sintéticos ainda preveniram infecções pelo vírus da herpes em camundongos

Pamela Malva Publicado em 25/08/2021, às 11h00

Imagem meramente ilustrativa de laboratório
Imagem meramente ilustrativa de laboratório - Divulgação/ Pixabay/ jarmoluk

Em reunião virtual da Sociedade Americana de Química, pesquisadores da Maxwell Biosciences anunciaram uma descoberta inusitada. A partir de imitações de peptídeos, os cientistas não apenas preveniram infecções pelo vírus da herpes, como ainda inativaram o vírus da Covid-19 em placas de laboratório, segundo a Galileu.

De acordo com os especialistas, os chamados peptoides foram aplicados tanto em culturas de células humanas, quanto em camundongos. Os cientistas, entretanto, ainda analisam os efeitos do novo componente no organismo dos roedores.

Ainda assim, as moléculas sintéticas já se mostraram eficazes contra a gripe comum, o resfriado e as hepatites B e C. Dois dos peptoides testados, inclusive, combateram o vírus da síndrome respiratória do Médio Oriente (Mers) e os coronavírus mais antigos.

Segundo as especulações dos cientistas, as moléculas criadas em laboratório são eficientes porque perfuram o envelope viral, ligando-se diretamente ao material genético dos vírus. Com isso, os novos peptoides conseguem inativar determinados patógenos.

Imagem meramente ilustrativa / Crédito: Divulgação/ Pixabay/ DarkoStojanovic

 

Por esse motivo, acredita-se que o componente pode funcionar contra diversos agentes, sendo aplicado, por exemplo, como antifúngico. Isso tudo porque, ao contrário dos peptídeos, os peptoides são resistentes a enzimas e têm uma eliminação mais complexa.

Com um baixo custo e uma fácil produção, as moléculas devem entrar na fase de testes clínicos dentro de um ano. Enquanto isso, os cientistas buscam maneiras de investigar a efetividade dos componentes contra o vírus Sars-CoV-2 em camundongos.

Por fim, os estudiosos ainda pretendem verificar se os peptoides conseguem combater as cepas do vírus causador da herpes que são resistentes ao aciclovir — o melhor antiviral disponível para o tratamento da doença já aprovado pela Food and Drug Administration (FDA), a agência reguladora de fármacos dos Estados Unidos.