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“O Brasil já está na 2º onda de Covid-19", afirma pesquisador da USP

De acordo com Domingos Alves, estamos vivendo uma situação parecida com os Estados Unidos e a Europa

Fabio Previdelli Publicado em 18/11/2020, às 13h00

Imagem ilustrativa de um teste positivo para Coronavírus
Imagem ilustrativa de um teste positivo para Coronavírus - Pixabay

Segundo Domingos Alves, responsável pelo Laboratório de Inteligência em Saúde (LIS) da Faculdade de Medicina da USP, em Ribeirão Preto, interior de São Paulo, “o Brasil já está na segunda onda de Covid-19". As informações são do UOL.

O pesquisador, que acompanha há oito meses os dados da pandemia no país e também é um dos responsáveis pelo portal Covid-19 Brasil, avalia que estamos vivendo uma situação parecida com os Estados Unidos e a Europa. Para chegar a essa conclusão, ele se baseia na evolução da taxa de reprodução (Rt) do vírus no país, que voltou a crescer.  

A taxa se baseia no aumento de novos casos, e permite saber quantas pessoas são contaminadas por alguém que já estava infectado. Se o índice fica acima de 1 ponto, significa que o vírus está se espalhando, quando está abaixo significa que está perdendo intensidade. 

Sendo assim, em 16 de novembro, segundo o Observatório de Síndromes Respiratórias da Universidade Federal da Paraíba, o Brasil tinha um média de 1,12, ou seja, a cada 100 pessoas infectadas outra 112 iriam contrair o vírus. Nessa data, o Rt estava acima de 1 em 20 estados, sendo o Paraná (1,62) o mais crítico entre eles.  

O pesquisador também analisou a média móvel do Rt, que é calculada com base nas última duas semanas. "É importante a gente olhar a média móvel porque isso indica que não se trata apenas de uma flutuação do índice, mas que há uma tendência concreta de alta ou queda", explica. 

A média móvel Rt do país está acima de 1 desde o último dia 11, índice que não era ultrapassado desde o dia 10 de agosto, ou seja, após três meses de redução de casos, a pandemia voltou a crescer no país.  

"Nossa segunda onda vai ser mais parecida com a dos EUA do que com a da Europa, porque a Europa conseguiu controlar de verdade a transmissão, que voltou com força depois do verão, quando as pessoas foram viajar e trouxeram novas cepas do vírus para casa", diz o pesquisador. 

Alves ainda diz que tanto no Brasil quanto nos EUA, não houve um controle real da pandemia, o que, praticamente, gerou uma sobreposição entre a 1ª e 2ª onda de contágio. “Nunca conseguimos controlar a transmissão comunitária", finaliza.