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Paciente com câncer teve remissão da doença após contrair Covid-19

Apesar do caso, situação ainda precisa ser investigada!

Fabio Previdelli Publicado em 28/01/2021, às 11h04 - Atualizado às 11h05

Exame de tomografia do paciente que mostra a remissão da doença
Exame de tomografia do paciente que mostra a remissão da doença - Divulgação/ British Journal of Haematology

De acordo com um estudo publicado no periódico especializado "British Journal of Haematology", um paciente de 61 anos que foi diagnosticado com o linfoma de Hodgkin, um tipo de câncer, após receber um transplante de rim, teve uma rara remissão da doença depois que contraiu a Covid-19. 

O paciente teve a confirmação de que estava infectado com o novo coronavírus depois de testar positivo em um exame RT-PCR. Assim, ele precisou ser internado, pois estava com falta de ar e apresentava um quadro de pneumonia.

Ele foi tratado por 11 dias no hospital, mas não foi medicado com corticoides ou passou por quimioterapia (tratamentos indicados para pessoas com linfoma) durante esse período até receber alta.  

"Nossa hipótese é que a infecção pelo Sars CoV-2 tenha desencadeado uma resposta imune contra o tumor, como já foi descrito em outras infecções no contexto de um linfoma de Hodgkin", explicam Sarah Challenor e David Tucker, do Departamento de Hematologia do Royal Cornwall Hospital, no Reino Unido, e autores do estudo. 

Segundo a pesquisa, devido a contaminação da Covid-19, o sistema imunológico do paciente começou a produzir células responsáveis pela defesa do organismo contra agentes desconhecidos, que podem ter ativado células T, ou linfócitos T, que possuem antígenos tumorais e células que “matam” o tumor. 

Apesar desse quadro, a situação do paciente ainda precisa ser investigada. Ainda não está comprovado que a Covid-19 é capaz de “curar” o linfoma.

"Ninguém deve se expor à Covid porque tem um linfoma. Esse caso é muito raro", declarou Nelson Hamerschlak, coordenador do Programa de Hematologia e Transplantes de Medula Óssea do Hospital Israelita Albert Einstein, em entrevista ao G1.