Coronavírus » Pandemia

Papa pede medidas governamentais para evitar um "genocídio viral"

“Sabemos que defender as pessoas supõe um prejuízo econômico”, disse o pontífice

Fabio Previdelli Publicado em 30/03/2020, às 13h00

Foto do Papa Francisco
Foto do Papa Francisco - Getty Images

O Papa Francisco enviou uma carta, no último sábado, 28, ao presidente da Comissão Pan-Americana de Juízes para os Direitos Sociais, o doutor Roberto Andrés Gallardo, alertando sobre os governos que não adotam as medidas para defender a população do Covid-19 com uma reflexão  sobre as restrições socias a serem enfrentadas pelas pessoas ao redor do mundo.

“Estamos todos preocupados com o crescimento, em progressão geométrica, da pandemia. Estou feliz com a reação de tantas pessoas, médicos, enfermeiros, enfermeiras, voluntários, religiosos, sacerdotes que arriscam suas vidas para curar e defender as pessoas saudáveis do contágio”, escreveu o pontífice.

Francisco também salienta que “alguns governos adotaram medidas exemplares com prioridades bem definidas para defender a população”.  Ele continua: “É verdade que essas medidas 'incomodam' aqueles que são obrigados a cumpri-las, mas é sempre para o bem comum e, a longo prazo, a maioria das pessoas as aceita e se move com uma atitude positiva. Os governos que enfrentam a crise mostram a prioridade de suas decisões: primeiro as pessoas. E isso é importante, pois sabemos que defender as pessoas supõe um prejuízo econômico”.

Segundo o líder da Igreja Católica, “seria triste se o oposto fosse escolhido, o que levaria à morte de muitas pessoas, algo como um genocídio viral”. Francisco também alerta que é essencial nos prepararmos para depois do Covid-19. “Já se notam algumas consequências que devem ser enfrentadas: fome, sobretudo para as pessoas sem trabalho fixo, violência, a aparição dos usurários especuladores (que são a verdadeira peste do futuro social, delinquentes desumanizados), etc”.

O pontífice termina a carta falando que é interessante analisar “futuro econômico” sob a perspectiva da economista Mariana Mazzucato, professora na University College London, contida no livro Il valore di tutto: chi lo produce e chi lo sottrae nell economia globale (ou O valor de tudo: Quem produz e quem subtrai na economia global, em tradução literal), ressaltando que tal pensamento “ajuda a pensar no futuro”.

Os efeitos do coronavírus já foram sentidos de perto pelo pontífice, que na última sexta-feira, 27, rezou sozinho na Praça São Pedro. Ontem, 29, a Itália registrou 756 mortes em um único dia. O país já tem 97.689 casos confirmados e mais de 10 mil mortes.