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Segundo estudo, morcegos e os coronavírus estão juntos em constante evolução há milhões de anos

De acordo com os pesquisadores, a compreensão de como os vírus evoluíram pode nos ajudar a criar programas de saúde pública no futuro

Nicoli Raveli Publicado em 23/04/2020, às 15h00 - Atualizado às 15h30

Morcegos em grande quantidade
Morcegos em grande quantidade - Divulgação

Ao estudar 36 espécies de morcegos do Oceano índico, próximo à África, cientistas descobriram que os animais e os coronavírus estão juntos em constante evolução há milhões de anos.

"Descobrimos que há uma história evolutiva profunda entre morcegos e coronavírus. Desenvolver uma melhor compreensão de como os coronavírus evoluíram pode nos ajudar a criar programas de saúde pública no futuro”, alegou o biólogo Steve Goodman, que publicou um artigo sobre a descoberta.  

O estudo, que foi liderado por cientistas da Université de La Réunion, Léa Joffrin e Camille Lebarbenchon, aponta que o nome coronavírus não está somente ligado a Covid-19, e sim que ele apresenta diferentes formas do vírus nas espécies de morcego. Até o momento, a maioria dos casos não representa ameaça aos humanos.

Dessa maneira, o animal é um portador natural do vírus e não aparenta ser prejudicial para suas vidas. Entretanto, o mesmo pode apresentar certos perigos a outras espécies. Não obstante, Goodman e seus colegas coletaram o sangue de cerca de mil morcegos. Mais tarde, o resultado apontou que oito por cento deles apresentavam algum tipo de coronavírus.

“Essa é uma estimativa muito aproximada da proporção de morcegos infectados. Há evidências crescentes de variação sazonal na circulação desses vírus em morcegos, sugerindo que esse número pode variar significativamente de acordo com a época do ano”, afirmou Camille Lebarbenchon, Ecologista de Doenças da Université de La Réunion.

Os cientistas construíram uma árvore genealógica sobre o coronavírus, na qual chegaram a conclusão de que os diferentes tipos do vírus estão relacionados entre si. Em casos extremos, há relatos de que morcegos de diferentes famílias, gêneros e espécies podem compartilhar suas cepas da doença.

“Antes que você possa descobrir programas de saúde pública e tentar lidar com a possível mudança de certas doenças para humanos, ou de humanos para animais, você precisa saber o que há por aí. Esse é o tipo de projeto”, comentou Goodman.

Para o co-autor e ecologista Patrick Mavingui, o desenvolvimento de métodos sorológicos direcionados a cepas de coronavírus circulando no Oceano Índico ajudará a mostrar se já existem passagens discretas nas populações humanas e sua interação com os hospedeiros.