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Subnotificação de mortes por Covid-19 em bebês é algo possível, de acordo com levantamento

Uma pesquisa realizada pela organização de saúde pública Vital Strategies indica que o número de óbitos de bebês pode ser até três vezes maior que o divulgado

Giovanna Gomes, sob supervisão de Fabio Previdelli Publicado em 15/05/2021, às 10h36

Pés de um bebê
Pés de um bebê - Pixabay

A organização de saúde pública Vital Strategies apresentou recentemente um levantamento que trata da possibilidade de subnotificação de óbitos de bebês por Covid-19.

Segundo o UOL, a pesquisa comandada pela epidemiologista da UFMG Fátima Marinho, indica que o número de bebês de até um ano de idade mortos por complicações relacionadas a doença pode chegar a 1.804, por mais que a quantidade oficial seja de 617.

Não se pode afirmar com exatidão se todas essas mortes foram em razão da Covid-19, pois a correção considera o excesso de mortes por SRAG (Síndrome Respiratória Aguda Grave) sem causa definida, número que se revelou muito maior se comparado ao ano de 2019.

Mas, para a médica epidemiologista e assessora técnica sênior da Vital Strategies, Ana Luiza Bierrenbach, o aumento acompanhou a tendência de altas e baixas da pandemia da doença no país, além de que o mesmo padrão ocorreu em outras faixas etárias. Os dados, retirados do sistema Sivep-Gripe, foram atualizados pela última vez no dia 13 de maio.

"Notamos um grande aumento de casos de óbitos não certificados, ou seja, que não tinham um agente associado a esse caso. Esses não especificados e sem informação aumentaram concomitantemente à covid e basicamente seguem as altas e baixas da covid", explicou a profissional.  

"É claro que a gente tem que considerar a possibilidade desses casos serem de outros agentes comuns. Mas não achamos que tem uma outra explicação para esses casos. Alguém responsável pela notificação verificou que ele cabia na nossa definição de SRAG. O que ficou faltando foi uma definição de covid", disse.

Sobre a Covid-19

De acordo com as últimas informações divulgadas pelos órgãos de saúde, atualmente, o Brasil registra 15,5 milhões de pessoas infectadas, e as mortes em decorrência da doença já chegam em 433 mil no país.  

Em 1º de dezembro de 2019, o primeiro paciente apresentava sintomas do novo coronavírus em Wuhan, epicentro da doença na China, apontou um estudo publicado na revista científica The Lancet em fevereiro deste ano.  

De lá pra cá, a doença já infectou 162 milhões de pessoas ao redor do mundo, totalizando mais de 3,36 milhões de mortes.