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Tiroteios aumentam no Rio de Janeiro, mesmo a cidade estando em quarentena

Antes do anúncio das medidas preventivas no Rio, eram, em média, oito tiroteios por dia — agora esse número subiu

Vanessa Centamori Publicado em 25/03/2020, às 12h00

Foto meramente ilustrativa de policiais
Foto meramente ilustrativa de policiais - Divulgação

Nem a quarentena para o coronavírus foi capaz de aliviar a situação de violência no Rio de Janeiro. Mesmo com a proibição de aglomerações na cidade, o número de tiroteios cresceu, conforme o aumento de disputas entre facções também ocorre. 

Dados levantados pelo portal UOL, feitos a partir de informações do Laboratório de Dados sobre Violência Armada Fogo Cruzado, mostraram uma piora considerável na situação. Até o último dia 13 de março — quando o governador Wilson Witzel (PSC) anunciou as primeiras medidas restritivas —, eram, em média, oito tiroteios no Rio de Janeiro, por dia. Só que agora esse número subiu para dez, diariamente. 

Foto de veículos policiais / Crédito: Divulgação / Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro

 

Em somente nove dias, nos quais as pessoas permaneceram isoladas em suas casas, a cidade teve 97 confrontos armados, grande parte deles envolvendo membros de organizações criminosas

Isso pode estar relacionado à redução de operações policiais, conforme acredita Robson Rodrigues, coronel da reserva da Polícia Militar e pesquisador LAV (Laboratório de Análises da Violência). As quadrilhas estariam assim aproveitando a chance para colocar seus planos ilegais em ação. 

“Geralmente esses grupos vão tentar agir na oportunidade deixada por um momento de ausência do Estado ou das forças policiais”, afirmou Rodrigues, ao UOL. “Tiroteios têm ocorrido em locais onde indicadores criminais são altos e onde a polícia tem mais dificuldade de entrar".

Conforme as estatísticas, os tiroteios aumentaram mesmo com a redução das operações policiais. Além disso, as polícias estavam em 35% dos confrontos armados do Rio de Janeiro, até o início dos casos de coronavírus na cidade. Durante as medidas restritivas, o percentual caiu pela metade, chegando a 17,5% dos confrontos.