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Trump retuita vídeo de médica defensora da hidroxicloroquina que crê que “reptilianos” já governaram os EUA

“Ninguém precisa adoecer. Este vírus tem uma cura, se chama hidroxicloroquina”, diz a médica Stella Immanuel, que atribui problemas ginecológicos a prática de sexo com espíritos malignos

Fabio Previdelli Publicado em 29/07/2020, às 09h40

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump - Wikimedia Commons

Nos últimos dias, Donald Trump voltou a causar polêmicas nas redes sociais depois de retuitar um vídeo de um grupo de médicos autodenominados de “Médicos da linha de frente dos Estados Unidos” (America’s Frontline Doctors)” que defendem firmemente o uso da hidroxicloroquina como uma cura milagrosa para o novo coronavírus.

Entretanto, o que mais chamou a atenção no vídeo foi a participação da médica Stella Immanuel que, segundo apurou o UOL, atribui problemas ginecológicos a prática de sexo com espíritos malignos e que ainda crê que “mentes reptilianas” já governaram os EUA.

“Ninguém precisa adoecer. Este vírus tem uma cura, se chama hidroxicloroquina”, disse Stella na escadaria da Suprema Corte de Washington, que recebeu na última segunda-feira, 27, onde participou da “Cúpula da Capa Branca” — uma reunião de médicos que defende o medicamento antimalária como forma de tratamento da Covid-19.

Segundo a própria Immanuel, que é médica de família, ela já tratou 350 pacientes com o remédio — alguns inclusive com comorbidades graves — e todos sobreviveram. Segundo aponta, a hidroxicloroquina é tão potente que torna o uso de máscaras e o distanciamento social desnecessários.

O vídeo retuitado por Trump e por seu filho Trump Jr. foi excluído das redes sociais por promover informação falsa. Questionado sobre o compartilhamento, o presidente americano respondeu: “pensei que o que dizia era importante, mas não sei nada dela”.

O site do “Médicos da linha de frente dos Estados Unidos” foi retirado do ar, mas uma pesquisa adicional na página de Stella mostra que ela possui algumas crenças incomuns e sem nenhum embasamento científico, como, por exemplo, o pensamento de que “espíritos atormentadores” costumam praticar “sexo astral” com mulheres, o que acaba acarretando “problemas ginecológicos, sofrimento matrimonial, aborto espontâneo” e outras enfermidades.

Em uma aparição em um vídeo de 2005, a médica que comanda um grupo religioso chamado “Ministérios do poder de fogo”, disse: "Há pessoas que governam esta nação que nem sequer são humanas", descrevendo-as como "espíritos reptilianos [que são] metade humanos, metade extraterrestres”. No mesmo trecho ela critica o uso de “DNA alienígena” no tratamento de doentes, o que, segundo afirma, leva os seres humanos a se misturarem com demônios.