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União Europeia diz que China está por trás de 'enorme onda' de desinformação sobre o coronavírus

Essa é a primeira vez que o grupo nomeia publicamente o país asiático como fonte dessa corrente desinformativa. Comissão da UE também emitiu uma repreensão implícita a Donald Trump

Fabio Previdelli Publicado em 10/06/2020, às 14h00 - Atualizado às 15h00

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Imagem ilustrativa - Creative Commons

A China foi acusada por Bruxelas (Bélgica) de realizar campanhas de desinformação dentro da União Europeia, quando o bloco estabeleceu um plano para combater uma "enorme onda" de fatos falsos sobre a pandemia do novo coronavírus. A comissão europeia afirmou que Rússia e China realizam “operações de influência direcionadas e campanhas de desinformação na UE, em seus arredores e no mundo”.

Embora a acusação contra os russos já tenha sido proferida em outras ocasiões, esta é a primeira vez que o executivo da União Europeia nomeia publicamente a China como fonte dessa corrente desinformativa.

"Acredito que, se temos evidências, não devemos deixar de nomeá-los", disse Vĕra Jourová, vice-presidente da Comissão Europeia. “O que também testemunhamos é um aumento nas narrativas que minam nossas democracias e, com efeito, nossa resposta à crise, por exemplo, a alegação de que existem laboratórios biológicos secretos dos EUA nas antigas repúblicas soviéticas foi difundida por meios pró-Kremlin e também por chineses funcionários e mídia estatal”.

"Acredito firmemente que uma UE geopoliticamente forte só pode se materializar se formos assertivos", disse Jourová, aludindo ao objetivo da presidente da comissão europeia, Ursula von der Leyen, de que o grupo tenha mais influência no cenário mundial.

A postura mais assertiva marca uma mudança de tom em relação a um relatório de março que apenas descreveu as narrativas da mídia chinesa, enquanto focaliza as atenções na desinformação de fontes apoiadas pelo Kremlin. Isso ocorre depois que os membros do Parlamento Europeu acusaram a comissão de diluir um relatório anterior de desinformação após serem pressionados pela China — as acusações foram negadas veementemente por funcionários da EU.

A comissão também emitiu uma repreensão implícita a Donald Trump, pois observou os efeitos nocivos de suas sugestões bizarras sobre a injeção de alvejante para tratar o coronavírus. Sem nomear o presidente dos EUA, um documento da comissão afirmou que essas falsas alegações podem ser "muito prejudiciais", observando que o Centro de Controle de Envenenamentos da Bélgica registrou um aumento de 15% no número de incidentes relacionados à lixívia.