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Uso da cloroquina pode causar mortes e ocasionar parada cardíaca, diz ex-Ministro da Saúde

Segundo Luiz Henrique Mandetta, Brasil só passou 1/3 da crise que é esperada

Fabio Previdelli Publicado em 18/05/2020, às 11h30

Foto do ex-Ministro Luiz Henrique Mandetta
Foto do ex-Ministro Luiz Henrique Mandetta - Wikimedia Commons

Apesar da falta de comprovação científica, o presidente Jair Bolsonaro segue sendo árduo defensor do uso da cloroquina para o tratamento de pacientes como o quadro leve do novo coronavírus.

A discussão foi, entre algumas das razões, o motivo para o conflito com os dois últimos ministros da Saúde, Nelson Teich e Luiz Henrique Mandetta. Entretanto, apesar de já ter deixado o cargo, Mandetta segue alarmando sobre o uso do medicamento, que pode elevar a pressão por vagas em centros de terapia intensiva e até mesmo provocar mortes em casa por arritmia.

“Começaram a testar pelos [quadros] graves que estão nos hospitais. Do que sei dos estudos que me informaram e não concluíram, 33% dos pacientes em hospital, monitorados com eletrocardiograma contínuo, tiveram que suspender o uso da cloroquina porque deu arritmia que poderia levar a parada [cardíaca]”, disse em entrevista à Folha.

O ex-Ministro diz acreditar que a pressão de Bolsonaro para impor o uso do medicamento, seria uma forma de estimular a volta das pessoas ao cotidiano normal, antes da pandemia. Para Mandetta, entretanto, o Brasil só passou 1/3 da crise que é esperada — que deverá ter, ao menos, mais 12 semanas “duras”.

O médico diz que a situação mais complexa, hoje, é a do estado do Pará. “É um estado que provavelmente vem agora com um número muito alto de casos, dobrando muito rápido e com sistema de saúde que vai ter que se desdobrar”.

Coronavírus no Brasil

Até o momento, segundo dados do Ministério da Saúde, o Brasil tem mais de 240 mil casos de infectados pela Covid-19, com 16.118 mortes registradas. A atualização desse número deverá ser divulgada na tarde de hoje, 18.