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Ficção vs. Realidade: Os 20 anos do Harry Potter

A saga levou mais de 45 milhões de pessoas aos cinemas brasileiros

Daniel Bydlowski, cineasta Publicado em 20/11/2021, às 09h00

Imagem promocional da saga Harry Potter
Imagem promocional da saga Harry Potter - Divulgação/Warner Bros. Pictures

O bruxo de maior sucesso da história, agora, já estaria na faculdade de magia. A saga Harry Potter completa 20 anos da primeira adaptação para o cinema, em 2001, e sempre há motivos para comemorar.

Além dos 8 filmes arrecadarem quase 8 bilhões pelo mundo, o primeiro livro da coleção, ‘Harry Potter e a Pedra Filosofal’ (1997), vendeu uma estimativa entre 110 e 130 milhões de cópias e ocupa o 5º lugar entre os mais vendidos. Muita coisa, não?

Mas longe de toda a fantasia que as pessoas gostam e consomem enlouquecidamente, ainda bem, temos algumas realidades, homens, lugares e línguas que fizeram parte do nosso mundo (o dos troxas), que podem ter inspirado e, arrisco a dizer, que foram bases para pesquisas, para o desenvolvimento da história e para a produção dos longas. Ou seja, quando falamos em Harry Potter, falamos de história também.

Divulgação/Warner Bros. Pictures

 

Desapareça desse mundo

Avada Kedvra, palavra de origem aramaica (abhadda kedhabra), também inspirou o famoso abracadabra. Seu significado é ‘desapareça deste mundo’. Como aficionados em Potter, já sabemos o que quer dizer né? Um feitiço proibido na saga que só é usado para matar alguém.

Nicolau Flamel

Renomado alquimista, escritor e dono de livraria do século 14, ele teria criado a pedra filosofal, o elixir da vida. A lenda corre solta e é tão aceita, que uma teoria da conspiração surgiu, de que em seu túmulo só haviam roupas, uma vez que ele se tornou imortal após sua descoberta.

Além desse nome do mundo real da magia, foram utilizados grandes magos como Cornélio Agrippa de Nettesheim, esse tem um currículo extenso – ocultista, médico, teólogo, escritor, soldado, filósofo, e Paracelso, médico suíço, alquimista, teólogo leigo e filósofo da Renascença alemã, que também não fica atrás do colega.

Escola para bruxos

Será que já existira? Opa! Ainda existem. No Brasil mesmo temos um monte delas, onde se aprende a fazer magias e encantos, tanto benéficos, quando maléficos, como no caso do ocultismo.

Mas onde gostamos mesmo de imaginar que saíram as inspirações, foi de Toledo, na Espanha. Uma das cidades medievais mais bonitas da Europa, com uma estação de trem belíssima que abarca um relógio (algo incomum?), ainda, é muito famosa por estudos de ciências ocultas.

Grandes nomes

Além dos magos conhecidos, o nome do fundador da casa daquele que não deve ser nomeado foi inspirado em António de Oliveira Salazar, figura autoritária, antidemocrática, colonialista e conservador, que foi o comandante de Portugal entre os anos de 1932 e 1968. Não sabemos se é verdade ou não, mas existe uma hipótese de os óculos do bruxinho mais famoso ter sido inspirado em Fernando Pessoa. Será?

Grandes obras

Escrita por Diana Wynne Jones, entre os anos de 1977 e 2006, ‘Os Mundos de Crestomanci’ tem bruxos e tem escola de magia. Ursula Le Guin já previa os salvadores em sua saga de 6 livros, publicados entre 1968 e 2001, os ‘Contos de Terramar’, em que um velho mago e um jovem iniciante se unem para combater as forças das trevas que desequilibram todo o universo da magia.

Em ‘Deuses Americanos e Coraline’ (1990), de Neil Gaiman, o protagonista é assustadoramente parecido com o bruxo de J.K, com os óculos e a coruja. Existem outros, porém é tão comum as semelhanças que não seria necessário discorre-las.

Comensais da Morte

Caracterizada pela exploração, onde era necessário manter as pessoas nas rédeas curtas, na Idade Moderna as bruxas eram consideradas amigas do diabo. Que sugavam almas e matavam quem entrasse em seus caminhos, além disso, sempre foram retratadas como personagens sombrios. Isso, com certeza, deve ter inspirado os Comensais da Morte.

Na verdade, a maior parte das inspirações que lemos por aí são basicamente especulações, uma vez que a autora J.K. Rowling é famosa por negar os lugares e pessoas que se assemelham de forma assustadora com as descrições. Como exemplo a livraria Lello, a qual a autora diz que jamais entrou antes de lançar a saga. Coincidências ou não, uma coisa é fato, Harry Potter é um fenômeno e nossa imaginação pode ir além, assim como a dela.


Sobre o cineasta

O cineasta brasileiro Daniel Bydlowski é membro do Directors Guild of America e artista de realidade virtual. Faz parte do júri de festivais internacionais de cinema e pesquisa temas relacionados às novas tecnologias de mídia, como a realidade virtual e o future do cinema. Daniel também tenta conscientizar as pessoas com questões sociais ligadas à saúde, educação e bullying nas escolas. É mestre pela University of Southern California (USC), considerada a melhor faculdade de cinema dos Estados Unidos. Atualmente, cursa doutorado na University of California, em Santa Barbara, nos Estados Unidos. Recentemente, seu filme Bullies foi premiado em NewPort Beach como melhor curta infantil, no Comic-Con recebeu 2 prêmios: melhor filme fantasia e prêmio especial do júri. O Ticket for Success, também do cineasta, foi selecionado no Animamundi e ganhou de melhor curta internacional pelo Moondance International Film Festival.