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Há 93 anos, nascia Anne Frank: Os melhores filmes para conhecer a dura saga da jovem

Há mais de nove décadas, nascia em Frankfurt, Alemanha a garota cujo diário se tornaria uma bandeira contra o nazismo

Redação Publicado em 12/06/2022, às 00h00

Registro da jovem Anne Frank - Domínio Público
Registro da jovem Anne Frank - Domínio Público

O diário de Anne Frank, escrito entre 14 de junho de 1942 e agosto de 1944, durante o período em que permaneceu escondida dos nazistas com a família nos fundos de uma casa em Amsterdam já foi traduzido para inúmeros idiomas, vendeu mais de 25 milhões de copias e serviu como inspiração para peças de teatro, produções da televisão e filmes e até quadrinhos e animes.

Os relatos emocionantes da garota judia que buscava sobreviver em um esconderijo, se tornaram conhecidos em 1947 quando seu pai, Otto Frank, único sobrevivente da família, decidiu publicar o diário de sua filha.

Anne, que faleceu por febre tifoide aos 15 anos no campo de concentração conhecido como Bergen-Belsen, assim como muitas adolescentes, tinha sonhos mesmo que em tempos tenebrosos, entre eles, jamais ser esquecida e ser uma estrela de cinema.

Como uma bandeira contra os horrores do nazismo, seu diário, fez dela e outras testemunhas vivas do Holocausto, mundialmente famosas. Muito longe de ser uma garota perfeita, e mais próxima de uma típica adolescente, Anne conquistou a todos com o registro de uma vida cotidiana, embora extraordinária por suas circunstâncias. Vida essa que se assemelhava a outras grandes estrelas, tais como Audrey Hepburn.

Domínio Público

A bonequinha de luxo

A famosa atriz de clássicos como Sabrina e Bonequinha de Luxo, e garota propaganda da Givenchy, também vivenciou a invasão nazista na Holanda, durante a Segunda Guerra Mundial, mas diferente de Anne, judia perseguida por Hitler, conseguiu sobreviver para se tornar um ícone do cinema. Hepburn carregou os danos cruéis de quase ter morrido de desnutrição durante o conflito pelo resto de sua vida, bem como as memórias tortuosas do período.

No livro sobre a atriz, Dutch Girl: Audrey Hepburn and World War II de Robert Matzen, é revelado que a eterna bonequinha de luxo quase teve sua história cruzada com a garotinha alemã. Em 1959, quando o Diário de Anne Frank foi adaptado para o cinema com a direção de George Stevens, a atriz recebeu um convite do próprio pai de Anne para interpretar sua filha nas telas, no entanto, a estrela disse não ser capaz de tal ato, pois sentia-se próxima e traumatizada demais à história de Anne.

Ambas viveram na mesma época na Holanda, tinham a mesma idade, Hepburn nasceu em 4 de maio e Anne dia 12 de junho de 1929, e moravam a apenas cerca de 100km de distância uma da outra.

Segundo Hepburn as coincidências eram tantas que ela chegou a marcar um trecho do livro em que Anne relata que cinco reféns foram executados, mesma data em que seu tio fora assassinado. Por fim, o papel foi entregue a estreante Millie Perkins.

Mas ainda que Audrey Hepburn não tenha interpretado Anne, existem muitas produções que valem a pena assistir. Separei uma lista com algumas.

1. O Diário de Anne Frank: de George Stevens, 1959

É a mais famosa e primeira produção sobre o tema. Interpretada por Millie Perkins, o longa se desenrola sobre a história da protagonista enquanto refugiada no sótão da casa de um comerciante simpático a causa judaica, junto com sua família, o pai Otto, vivido por Joseph Schildkraut, sua mãe Edith, Gusti Huber e sua irmã mais velha Margot, interpretada por Diane Baker. Entre as mazelas vivenciadas pela família Frank, há neste filme espaço para esperança e amor.


2. Anne Frank Remembered (1995)

O filme foi escrito e dirigido por Jon Blair, responsável por fazer o documentário sobre Oskar Schindler, que ajudou Steven Spielberg a se inspirar para o clássico, A lista de Schindler, é narrado por Kenneth Branagh.

O filme traz leituras do diário de Anne lidas por Glenn Close e entrevistas espetaculares e emocionantes como a de Otto, pai de Anne, de Miep Gies que arriscou sua vida para abrigar os Frank, Hanneli Goslar, ultima sobrevivente a ter visto Anne viva e Peter Pepper, filho de Fritz Pfeffer, outra pessoa a compartilhar o esconderijo na Holanda. No entanto o mais incrível neste filme é a rara gravação de Anne antes deles se esconderem, sorrindo em uma janela.


3. #AnneFrank – vidas paralelas (2019)

Lançado em 2019 pela Netflix é um documentário em homenagem aos 90 anos da figura histórica que Anne se tornou. Com base no diário da garota, Helen Mirren, vencedora do Oscar, conta a história de Anne e outras cinco sobreviventes do Holocausto. Dirigido por Anna Migotto e Sabina Fedelli, o documentário acerta na abordagem de mesclar o diário de Anne com histórias de sobreviventes também capturadas e presas durante o mesmo período.


4. Anne Frank, minha melhor amiga (2021)

Divulgação/Netflix

Lançado em fevereiro de 2021 também pela Netflix, o filme traz uma nova abordagem da vida de Anne. Dirigido pelo holandês Ben Sombogaart, a partir do roteiro de Marian Batavier e Paul Ruven, o longa apresenta evidencias de que Hannah Goslar, tida como confidente e amiga de Anne no livro “Memories of Anne Frank: Reflections of a Childhood Friend” (1997), e a autora do diário eram um tanto diferentes, principalmente na organização familiar.

Enfim como disse Otto Frank na abertura de Anne Frank Remembered, os relatos de sua filha não são apenas mais uma história sobre o Holocausto, eles não se limitam a experiência de uma parcela da sociedade, são de fato uma mensagem universal de coragem.


Sobre o cineasta

O cineasta brasileiro Daniel Bydlowski é membro do Directors Guild of America e artista de realidade virtual. Faz parte do júri de festivais internacionais de cinema e pesquisa temas relacionados às novas tecnologias de mídia, como a realidade virtual e o future do cinema. Daniel também tenta conscientizar as pessoas com questões sociais ligadas à saúde, educação e bullying nas escolas. É mestre pela University of Southern California (USC), considerada a melhor faculdade de cinema dos Estados Unidos. Atualmente, cursa doutorado na University of California, em Santa Barbara, nos Estados Unidos. Recentemente, seu filme Bullies foi premiado em NewPort Beach como melhor curta infantil, no Comic-Con recebeu 2 prêmios: melhor filme fantasia e prêmio especial do júri. O Ticket for Success, também do cineasta, foi selecionado no Animamundi e ganhou de melhor curta internacional pelo Moondance International Film Festival.