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Libertação de Auschwitz: muito além de ‘A Lista de Schindler’

Entre 25 e 27 de janeiro de 1945, o alívio. 5 anos após o extermínio de mais de 1,3 milhão de pessoas, a liberdade tem gosto de sangue e aprendizado, principalmente para o cinema

Daniel Bydlowski, cineasta Publicado em 23/01/2022, às 09h00

Imagens promocionais de O Protocolo de Auschwitz e O Anjo de Auschwitz
Imagens promocionais de O Protocolo de Auschwitz e O Anjo de Auschwitz - Divulgação

Apesar dos dados aceitáveis serem 1,3 milhão de mortos, Rudolf Höss, no Julgamento de Nuremberg, estimou o número de 3 milhões. Essas vidas perdidas mostraram ao mundo que nunca mais seria aceitável um holocausto e o cinema não se cansa de mostrar e alertar sobre um dos mais terríveis momentos da história mundial.

Claro, ‘A Lista de Schindler é um dos filmes mais bárbaros e conhecidos sobre o passado obscuro e o maior motivo de vergonha nacional da Alemanha, que enfim, por meio de produções cinematográficas, mostrou-se que não era Hitler.

Também, não podemos esquecer do emocionante ‘A Vida é Bela’. Porém, existem tantas outras produções, de ficção ou não, para aprender sobre história, heroísmo, xenofobia e, claro, sobre o que não apoiar, em hipótese alguma.

1. ‘O Protocolo de Auschwitz’

Dirigido e co-escrito por Peter Bebjak, relata a fuga para o alerta sobre o assassinato em massa que ocorria no campo de concentração. A história baseada em fatos reais, conta a jornada dos jovens inspirados em Rudolf Vrba e Alfred Wetzler, que se organizaram junto aos internos resilientes, e fugiram com um dossiê comprobatório mostrando o que acontecia por lá.

Além do plano da trajetória pós fuga dos jovens, foi explanado também o que houve com os que ficaram, depois da descoberta de que os fugitivos não estavam mais lá. Ainda, como foram recebidos em cada lugar que tentaram expor os absurdos cometidos pelas tropas de Hitler.


2. ‘Anne Frank – Vidas Paralelas’

O documentário é uma homenagem honesta da narradora Helen Mirren. Os relatos de Arianna Szorenyl,Helga Weiss,Andra Bucci,Tatiana Bucci e Sarah Lichtsztejn-Montard mostram a dura realidade de serem crianças, meninas e de todo o contexto do campo comandando pelo Terceiro Reich.

Ainda, conta sobre Anne, de acordo com seu diário – mundialmente conhecido, e a vontade de viver espremida, mas não pequena, em meio a todo o caos. Sim, vitória para a menina judia.


3. ‘O Anjo de Auschwitz’

Com a direção de Terry Lee Coker, o emocionante longa conta a história de Stanislawa Leszczynska, polonesa recrutada pelo médico Mengele para trabalhar no hospital do campo com ele. Não demorou muito tempo para que ela percebesse os absurdos cometidos contra gravidas e crianças.

Só sua misericórdia a impulsionou e passou a salvar vidas da forma que podia e correndo grandes riscos. A realidade, por si só, já é extremamente emocionante, e ver essa jornada de altruísmo e dedicação em relação ao próximo, não deixa as lágrimas passarem desapercebidas. Afinal, em meio ao caos e a morte, ver ali na telona uma ponta de esperança, não é uma cena que se esqueça.


4. ‘Filho de Saul’

Não era apenas morrer, fazer alguns serviços sujos também era parte da dor de cada prisioneiro de Auschwitz, e isso é o que conta László Nemes no longa. Encarregado de limpar a câmera da morte no campo de concentração, o protagonista encontra o corpo de seu filho.

Em um ímpeto de justiça ao direito de exercer sua religião, Saul começa uma jornada perigosa para fazer o enterro judaico. A história foi tão tocante, que o diretor novato conseguiu indicação ao Festival de Cannes 2015.


5. ‘A Escolha de Sofia’

Depois de décadas da Segunda Guerra Mundial, a prisioneira de Auschwitz vive um triângulo amoroso com seu namorado, um judeu completamente instável, e um aspirante a escritor.

Porém, seu passado ainda assombra, quando teve que escolher um de seus dois filhos para morrer. A intensa intepretação de Meryl Streep, no filme dirigido por Alan J. Pakula, deixa a história mais viva e digna do Oscar que levou, o de Melhor Atriz, em 1983.


Sobre o cineasta

O cineasta brasileiro Daniel Bydlowski é membro do Directors Guild of America e artista de realidade virtual. Faz parte do júri de festivais internacionais de cinema e pesquisa temas relacionados às novas tecnologias de mídia, como a realidade virtual e o future do cinema. Daniel também tenta conscientizar as pessoas com questões sociais ligadas à saúde, educação e bullying nas escolas. É mestre pela University of Southern California (USC), considerada a melhor faculdade de cinema dos Estados Unidos. Atualmente, cursa doutorado na University of California, em Santa Barbara, nos Estados Unidos. Recentemente, seu filme Bullies foi premiado em NewPort Beach como melhor curta infantil, no Comic-Con recebeu 2 prêmios: melhor filme fantasia e prêmio especial do júri. O Ticket for Success, também do cineasta, foi selecionado no Animamundi e ganhou de melhor curta internacional pelo Moondance International Film Festival.