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Spencer: Filme vai somar ou explorar mais um pouco a história de Lady Di?

O novo longa do chileno Pablo Larraín reproduz o conto de fadas que virou pesadelo

Daniel Bydlowski, cineasta Publicado em 18/09/2021, às 09h00

Cena do filme 'Spencer' (2021)
Cena do filme 'Spencer' (2021) - Divulgação/Shoebox Films, Komplizen Film, Fabula Film e Nation Entertainment

Como contar uma história já dissecada por filmes, séries, documentários e mídia sem parecer mais uma exploração? Talvez seja pela perspectiva psicológica de sua protagonista.

Spencer, dirigido pelo chileno Pablo Larraín, responsável pelo longa sobre Jackie em 2016 – que rendeu à Natalie Portman a indicação ao Oscar de Melhor Atriz em 2017, e escrito por Steven Knigt, não é mais um filme, ainda que por vezes ficcional, sobre a vida da princesa Diana, e sim sobre sua bravura indômita de ser feliz.

Divulgação/Shoebox Films, Komplizen Film, Fabula Film e Nation Entertainment

 

Com aclamações em festivais de cinema como Veneza, Telluride e Toronto, Spencer, nome de solteira de Diana, dá título à releitura de um evento conhecido, o Natal de 1991. Feriado em que a princesa decide pedir o divórcio do príncipe e renunciar ao trono britânico.

Destruída por dentro

Os fatos, colocados pela íntima e dolorosa perspectiva de quem deveria viver atada à ficção dos contos de fadas, são interpretados por Kristen Stewart. A atriz que teve tamanha conexão com o papel, diz ter sido muito difícil interpretar alguém como Diana, que se destacou por se doar tanto a felicidade alheia, embora destruída por dentro.

E por mais que tenhamos assistido, de forma inescrupulosa a vida de Diana, Spencer entrega uma narrativa de profunda relação com os conflitos sofridos por ela, os quais muitos não estamos preparados para ver.

Divulgação/Shoebox Films, Komplizen Film, Fabula Film e Nation Entertainment

 

Os dias em Sandringham House, casa de campo da Rainha Isabel II em Norfolk, Reino Unido, retrata as primeiras marolas do tsunami dos problemas vivenciados por Diana após seus problemas conjugais com Charles, interpretado por Jack Farthing, serem revelados publicamente em Diana: Her True Story, livro de Andrew Morton, lançado em 1992.

Com o objetivo de conectar o espectador à frágil saúde mental de Diana, Larraín, Knigt optaram por diálogos pesados e cenas de dores internas sendo externalizadas até mesmo em alucinações com o fantasma de Ana Bolena (interpretada por Amy Manson), ex-esposa de Henrique VIII que fora decapitada para que ele pudesse se casar com a amante. A trilha sonora composta por Jonny Greenwood é o convite oficial para esta imersão.

Experiência avassaladora

Para demonstrar a experiência avassaladora de Di, contextos, mesmo que metafóricos, da solidão, depressão, ansiedade e todas as consequências físicas dos problemas, como a anorexia, bulimia e automutilação são retratados no longa.

Divulgação/Shoebox Films, Komplizen Film, Fabula Film e Nation Entertainment

 

Willian e Harry, filhos da homenageada, interpretados por Jack Nielen e Freddie Spry, respectivamente, demonstram o lado amoroso, o porto seguro e fonte de coragem da “princesa do povo”.

Cenas ricas em detalhes como a memória em que revisita sua casa de infância, dão a nós, espectadores, a literal dimensão da ideia da gaiola dourada projetada por Larraín. Gaiola essa, que jamais permitiu à Diana sentir de fato a felicidade, apesar de suas inúmeras súplicas retratadas em uma narrativa repleta de simbologias.

A lenda

Spencer, demonstra parte dos propósitos que levaram Di, o maior ícone midiático da história, perseguida desde seus primeiros dias de envolvimento com a coroa real britânica até sua trágica morte, em um acidente de carro em Paris, em 1997, estar aquém a lenda que se tornou.

Suas intenções extremante altruístas foram comparadas às pessoas como a religiosa Madre Teresa de Calcutá, de quem se tornou muito amiga. Ambas faleceram no mesmo ano.

A estreia de Spencer, nos cinemas brasileiros, está prometida para começo de novembro, dia 05.


Sobre o cineasta

O cineasta brasileiro Daniel Bydlowski é membro do Directors Guild of America e artista de realidade virtual. Faz parte do júri de festivais internacionais de cinema e pesquisa temas relacionados às novas tecnologias de mídia, como a realidade virtual e o future do cinema. Daniel também tenta conscientizar as pessoas com questões sociais ligadas à saúde, educação e bullying nas escolas. É mestre pela University of Southern California (USC), considerada a melhor faculdade de cinema dos Estados Unidos. Atualmente, cursa doutorado na University of California, em Santa Barbara, nos Estados Unidos. Recentemente, seu filme Bullies foi premiado em NewPort Beach como melhor curta infantil, no Comic-Con recebeu 2 prêmios: melhor filme fantasia e prêmio especial do júri. O Ticket for Success, também do cineasta, foi selecionado no Animamundi e ganhou de melhor curta internacional pelo Moondance International Film Festival.