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Testeira

Um verdadeiro Godfella: Ray Liotta deixará muitas saudades

Ray Liotta fará falta não só entre amigos e colegas de trabalho, mas para os fãs da sétima arte

Daniel Bydlowski, cineasta* Publicado em 04/06/2022, às 06h00

Ray Liotta em foto - Divulgação
Ray Liotta em foto - Divulgação

Se você nasceu na década de 80 ou é um amante de cinema, difícil não considerar o filme de Martin Scorsese, ‘Os Bons Companheiros’ ou ‘Godfellas’ no título original, de 1990, como um dos melhores clássicos já feitos.

Com grandes nomes no elenco como Robert De Niro, Joe Pesci,Paul Sorvino e Ray Liotta, o longa baseado no livro Wiseguy, de Nicholas Pileggi, apresenta a história de um jovem mafioso que busca sua ascensão nos negócios, mas que, no entanto, não tem controle sobre sua vida pessoal e ambição, o que lhe causa alguns contratempos.

O garoto ítalo-irlandês, do Brooklyn - Nova Iorque, Henry Hill, que narra em primeira pessoa sua vida, é interpretado por Ray Liotta, que faleceu aos 67 anos enquanto dormia, na última quinta-feira, dia 26 de maio.

Foto de Rich Polk no GettyImages

Com cenas memoráveis, como a ida de Hill e Karen (Lorraine Bracco) à boate Copacabana, Liottae seus companheiros de tela fizeram do roteiro, que poderia funcionar como um documentário, uma ficção em que o mundo da máfia parecia real demais.

E embora tenham muitas criticas boas a De Niro,Pesci e Bracco, por exemplo, todos podem concordar que o grande ponto de união do filme é Ray Liotta, propósito ao qual, inclusive, o ator fez em mais de um filme.

Há também quem diga que o próprio Martin Scorsese também colocou um pouco de si em ‘Os Bons Companheiros’, como o garoto asmático e excluído que cresceu na Little Italy e da janela observava os gangsteres do bairro com inveja. Mas além da ambição, o filme é mais sobre culpa do que qualquer outra coisa,aliás, os melhores trabalhos de Scorsese se relacionam com este sentimento de forma quase poética.

Em alusão a primeira fala de Liotta em ‘Os Bons Companheiros’, “desde que eu me lembre” Ray sempre soube fazer entradas triunfantes, vender seus personagens e dançar perfeitamente entre os sentimentos que eles deveriam transmitir.

Outro exemplo do que estou falando, no longa, dirigido por Jonathan Demme, ‘Totalmente Selvagem’ (1986), Ray consegue alterar todo o conceito do filme ao surgir em cena, fazendo quase com que a gente torça para o vilão. E foi este o trabalho que o rendeu uma indicação ao Globo de Ouro e que chamou a atenção de Scorsese e de toda a Hollywood.

A vida do astro sempre foi controvérsia, assim como a maioria de seus personagens. Marcante, forte e cheia de histórias para contar. Nem mesmo as suas tragédias como o abandono da mãe biológica, a morte da adotiva em plena gravação do longa que deu a ele o estopim de sua fama, ou seus problemas com álcool e sua prisão o pararam.

Toda essa fórmula, o fez um artista único e uma grande estrela de Hollywood.

Não há como não respeitar, foram 67 filmes e 6 séries, para os mais diversos gostos, mas eternamente nos lembraremos de Henry Hill, que conseguiu contracenar com feras que deixariam muitos personagens no esquecimento, mas com ele, foi diferente.

Ao longo de quase 40 anos de carreira, Ray teve sua vida marcada por muitos baixos, no entanto outras interpretações como ‘Campo dos Sonhos’, de 1989, dirigido por Phil Alden Robinson, em que o ator trabalha com Kevin Costner, fez muitos telespectadores chorarem com o jogador “Shoeless”, Joe Jackson. E ‘Cop Land: a cidade dos tiras’, de 1997, em que atuou ao lado de Robert De Niro novamente agora no estilo policial investiga uma série de assassinatos em um vilarejo dos Estados Unidos.

Mas o último grande trabalho de Liotta é provavelmente o filme de Noah Baumbach, ‘História de um Casamento’, em que atua ao lado de Adam Driver e Scarlett Johansson.


Sobre o cineasta

O cineasta brasileiro Daniel Bydlowski é membro do Directors Guild of America e artista de realidade virtual. Faz parte do júri de festivais internacionais de cinema e pesquisa temas relacionados às novas tecnologias de mídia, como a realidade virtual e o future do cinema. Daniel também tenta conscientizar as pessoas com questões sociais ligadas à saúde, educação e bullying nas escolas. É mestre pela University of Southern California (USC), considerada a melhor faculdade de cinema dos Estados Unidos. Atualmente, cursa doutorado na University of California, em Santa Barbara, nos Estados Unidos. Recentemente, seu filme Bullies foi premiado em NewPort Beach como melhor curta infantil, no Comic-Con recebeu 2 prêmios: melhor filme fantasia e prêmio especial do júri. O Ticket for Success, também do cineasta, foi selecionado no Animamundi e ganhou de melhor curta internacional pelo Moondance International Film Festival.