Testeira
Colunas / Daniel Bydlowski » Entretenimento

Uma aventura histórica: 40 anos de Indiana Jones

Ao criar o célebre personagem de Harrison Ford, Steven Spielberg e George Lucas deram a nós, espectadores, o mágico vislumbre de como é vivenciar uma aventura histórica

Daniel Bydlowski, cineasta Publicado em 31/07/2021, às 00h00

Cena do longa 'A Arca Perdida', 1981
Cena do longa 'A Arca Perdida', 1981 - Divulgação/Paramount Pictures

Quem viu a estreia do primeiro filme, Indiana Jones e os Caçadores da Arca Perdida, em 1981, certamente entenderá meu entusiasmo. Muito mais que apenas um longa, Steven Spielberg e George Lucas criaram uma espécie de celebração à todas as vezes que brincamos ou imaginamos como seriam as caças ao tesouro. Com direito a fatos históricos verídicos.

Conhecer o arqueólogo, brilhantemente interpretado por Harrison Ford e seu catálogo mundial de aventuras com vilões nazistas, armadilhas, pedras assassinas, aviões em chamas, lanças, cobras, tarântulas, tumbas e tribos foi como encontrar o bilhete dourado para uma viagem repleta de panoramas religiosos, históricos e cinematográficos, isso com a excelência dos produtores.

A cena em que Jones corre da pedra gigante é, sem sombra de dúvidas uma das mais marcantes da saga Jones, e um grande detalhe é que Ford não usou dublê para filmá-la. Aliás, ele fez boa parte das cenas de ação em que é arremessado, Spielberg chegou até a se arrepender de ter deixado o ator ser uma espécie de MacGyver de calça caqui em um safari suicida. Afinal, embora fosse falso, o pedregulho de fibra de vidro, gesso e madeira pesava mais de 100 kg.

Divulgação/Paramount Pictures

 

E quem não se lembra dos corações sendo arrancados dos peitos? Nada mais anos 80 e 90. Sim, as cenas são incontáveis, e podemos dizer que o pulso acelera e só volta a bater normalmente ao final de cada sessão. Foram muitos os momentos intensos para o público, inovações, histórias e sacadas fenomenais que à época eram inexistentes. Não há como negar que Spielberg e Lucas romperam barreiras e deixaram um legado de quatro grandes produções e uma quinta já com data de estreia.

Agora, vamos as diversas curiosidades sobre o arqueólogo herói.

1. Mais cobras

A lendária cena em que Ford contracena com cobras, inicialmente foram levadas 2 mil cobras ao estúdio, mas Spielberg não achou suficiente, para mim seria bastante, mas o diretor então, encomendou mais 7 mil, totalizando 9 mil delas em um set extremamente aflitivo.


2. Sem Jones

O nome do primeiro filme era só Os Caçadores da Arca Perdida, só no segundo longa resolveram incorporar o nome do personagem ao título, e retocaram o fato no primeiro. Foi sucesso, não?


3. James Bond

Essa foi uma espécie de inspiração para o dono do Jurassic Park, ele sempre quis dirigir um 007, então fez o seu próprio, mas com outro estilo.


4. Cruze os dedos

Divulgação/ Disney

 

Os uniformes nazistas em A Última Cruzada eram verdadeiros, e todo o elenco ao fazer a saudação cruzaram os dedos nas costas, a pedido de Spielberg, que é judeu.


5. Cachorro

Sim, Indiana é o nome do Malamute do Alaska de Lucas.


6. Disney

A cena em que Indy entra no templo, rouba o ídolo e escapa da pedra gigante foi tirada de uma HQ do tio Patinhas, “As Sete Cidades de Cibola”.


7. Muitos animais

Em O Templo da Perdição, foram usados 50 mil insetos de verdade e só foram recuperados ¼ deles, pois eles evadiram pela cidade. E não passaram sem deixar o caos, pois Kate Capshaw foi sedada para atuar com tantos bichos esquisitos.


8. Problemas de Saúde

Ford quebrou joelhos, costelas, deslocou disco e rompeu ligamentos. Realmente, não era só Jones que vivia perigosamente durante as filmagens.


9. Tudo real

Explosões reais, veículos reais. Inclusive, foi criada uma cidade em miniatura para ser explodida durante a cena do teste nuclear.


10. O tiro

A cena em que Jones duela com o ninja da Tunísia foi simplesmente improviso, pois ninguém aguentava o calor insuportável, então, Ford sacou a arma e atirou.


11. Homeoffice

Dentro do zeppelin, em A Última cruzada, Ford e Sean Connery estavam sem calças, devido ao calor extremo. Quem nunca?


12. Star Wars

Existem algumas ligações entre os filmes, como em um dos aviões, o OB-CPO, é uma mistura entre os personagens Obi Wan e C3PO. Ainda, se olhar bem, entre os hieróglifos tem a presença do R2-D2 e o C3PO. Ainda, tem a boate nomeada como Clube Obi Wan. Detalhes intrigantes.


13. Cérebros

Servidos à mesa, eram feitos de creme de ovos e molho de framboesa.


14. Game

São, pelo menos, 25 jogos de games diferentes, para quase todos os consoles.


15. Oscar

A coleção da franquia é grande, são 13 estatuetas.


Finalmente, em 2022, vamos ver mais uma obra do dream team Harrison Ford, Steven Spielberg e George Lucas. Não podemos esperar menos do que um grande fechamento, se não aparecer um sétimo filme para completar a franquia.

Por enquanto, sabemos que Antonio Bandeiras estará nele, além de Mads Mikkelsen (Doutor Estranho), Phoebe Waller Bridge (Fleabag), Boyd Holbrook (Narcos), Shaunette Renée Wilson (The Resident) e Thomas Kretschmann (Vingadores: Era de Ultron).

Parece que a nova produção terá duas linhas do tempo, o jovem Indy lutando contra nazistas e nos dias atuais. Esperamos ansiosamente.


Sobre o cineasta

O cineasta brasileiro Daniel Bydlowski é membro do Directors Guild of America e artista de realidade virtual. Faz parte do júri de festivais internacionais de cinema e pesquisa temas relacionados às novas tecnologias de mídia, como a realidade virtual e o future do cinema. Daniel também tenta conscientizar as pessoas com questões sociais ligadas à saúde, educação e bullying nas escolas. É mestre pela University of Southern California (USC), considerada a melhor faculdade de cinema dos Estados Unidos. Atualmente, cursa doutorado na University of California, em Santa Barbara, nos Estados Unidos. Recentemente, seu filme Bullies foi premiado em NewPort Beach como melhor curta infantil, no Comic-Con recebeu 2 prêmios: melhor filme fantasia e prêmio especial do júri. O Ticket for Success, também do cineasta, foi selecionado no Animamundi e ganhou de melhor curta internacional pelo Moondance International Film Festival.