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Desventuras / Segunda Guerra Mundial

80 anos depois, mãe e filha separadas pelos horrores da Segunda Guerra se reencontram

Gerda Cole tinha apenas 18 anos quando precisou deixar Sonya para adoção

Fabio Previdelli | @fabioprevidelli_ Publicado em 01/06/2022, às 13h51 - Atualizado em 07/06/2022, às 16h46

O reencontro de Gerda Cole com sua filha Sonya - Divulgação/YouTube/TorontoSun
O reencontro de Gerda Cole com sua filha Sonya - Divulgação/YouTube/TorontoSun

Refugiada durante a Segunda Guerra Mundial, a austríaca Gerda Cole, então com 18 anos, se viu obrigada a colocar a filha recém-nascida para adoção em 1942. A criança ficou sob os cuidados de um casal alemão que vivia na Inglaterra.

À época, a única condição estipulada à Cole era simples: ela jamais poderia ir atrás da filha novamente e teria que se ‘esquecer’ dessa parte de seu passado. No entanto, em seu aniversário de 98 anos, tudo mudou. As duas finalmente se reencontraram. 

O reencontro

À CBC, Sonya Grist, hoje com 79 anos, filha de Gerda Cole, disse que acreditava que sua mãe biológica estava morta há anos. Entretanto, a grande surpresa veio à tona quando seu filho, Stephen Grist, buscava notícias de sua árvore genealógica para garantir sua cidadania austríaca. Foi aí que ele encontrou informações sobre sua avó, que vivia há anos no centro de idosos de Revera Kennedy Lodge Long Term Care Home em Toronto, no Canadá.

"A ideia de que sua mãe ainda estava viva e ela teria a oportunidade de conhecê-la era tão emocionante que nos deixou em um loop”, disse Stephen sobre a reação de sua mãe ao saber da notícia. 

O reencontro de Gerda Cole com sua filha Sonya/ Crédito: Divulgação/YouTube/TorontoSun

Quando eu disse à minha mãe que ela estava viva, ela apenas disse: ‘Eu quero pegar um avião para o Canadá agora e dar um grande abraço nela’”, completou à CBC. 

O reencontro aconteceu no último dia 7 de maio, no mesmo fim de semana em que se celebrou o Dia das Mães. Na ocasião, a casa de idoso, onde Gerda vive, presenciou uma festa emocionante. 

Cole e sua filha se abraçaram e relembraram momentos marcantes de suas vidas longe uma da outra — como casamentos, maternidade, netos e aventuras que tiveram durante todos esses anos. “Ela é um pouco de mim”, disse Gerda, e vê-la novamente “foi definitivamente a melhor coisa que me aconteceu”.

A fuga

Gerda Cole se viu obrigada a fugir de seu país, a Áustria, quando ele foi anexado pela Alemanha nazista em 1939. Ainda adolescente, ela chegou à Inglaterra por parte de um programa que trazia menores judeus da Europa para territórios aliados. Entretanto, seu esposo, pai de Sonya, não teve a mesma sorte e foi assassinado pelos nazistas

Segundo informações da People, Gerda estava desempregada e com poucas perspectivas de futuro quando deu à luz à Sonya, em 1942. Com o coração partido, a judia se viu obrigada a colocar a filha para adoção. Ao mesmo tempo, ela teve que concordar em passar a vida longe de qualquer contato com a criança. 

Gerda trabalhando durante escavação/ Crédito: Arquivo Pessoal

“Eu tive uma educação pessoal muito limitada, e isso, combinado com a guerra, não me deixou outro recurso a não ser ter minha filha Sonya adotada sob o conselho do comitê de refugiados”, explicou à CBC.

A condição era não ter mais nenhuma ligação com a criança", completa.

Entretanto, posteriormente, Cole pensou em entrar em contato com Sonya por anos, mas se preocupou com a devastação emocional que isso poderia causar na filha. Além disso, ela se perguntava se Sonya queria ser mesmo ‘encontrada’. 

Desta forma, decidiu seguir em frente e passou a trabalhar por meio período para o Burger King e também atuava como contadora. Gerda também passou grande parte de sua vida como voluntária em escavações arqueológicas em Israel e no Chipre.

No outro lado desta história, Sonya Grist viveu toda a sua vida na Inglaterra, trabalhando como guia turística. Ao The Washington Post, ela disse que “compreendeu completamente por que ela [Gerda] me abandonou” e que entende que tudo foi “sem malícia, sem rancor, sem nada”. 

Sonya Grist/ Crédito: Divulgação/YouTube/TorontoSun

“Eu cometi tantos erros e, no entanto, ela foi me procurar e me encontrou. Foi incrível”, disse Cole. “Eu adoraria me juntar à família deles. Convenhamos: 98 é quase 100. Não tenho muito tempo. Neste momento, não há mais ninguém com quem eu gostaria de estar junto.”


Itens que só existem pela Segunda Guerra!