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Amizade com André Rebouças e sorvete: 5 particularidades sobre a Princesa Isabel

Filha de Dom Pedro II ainda é alvo de debate e pesquisa entre historiadores

Redação Publicado em 16/02/2022, às 16h15 - Atualizado em 29/04/2022, às 09h00

Um dos muitos registros da Princesa Isabel
Um dos muitos registros da Princesa Isabel - Acervo IMS

Um dos nomes mais marcantes da história brasileira teve uma vida simples. Princesa Isabel, fruto do casamento de Dom Pedro II, último imperador do Brasil, e Teresa Cristina, foi uma mulher marcada por fatos curiosos em sua vida pública e íntima. 

Eternizada nos livros de História por ter assinado a Lei Áurea, Isabel ainda é alvo de debate e pesquisa entre historiadores do Brasil.

Isabel, ao contrário do que muitos ignoram, viveu outros momentos além da assinatura da Lei Áurea. Diante da ausência de Pedro II em 1871, ela assinou a Lei do Ventre Livre e entre 1876/77 encarou a seca que marcou a história do Brasil. 

“Estamos falando de uma época em que a mulher estava reservada lá para sua condição de vida doméstica. Isso já começa lá no Império mesmo. A classe política reconhecia a dona Isabel como a herdeira. Mas o fato deles serem por ela chefiados era, no mínimo, inquietante. Eles não conseguiam entender isso, em um momento em que a mulher não tinha direito ao voto ou possibilidade de exercer cargo público”, disse a pesquisadora Maria de Fátima Argon, uma das autoras de Alegrias e tristezas: estudos sobre a autobiografia de D.Isabel do Brasil, em entrevista à Agência Brasil em 2021. 

Diante de uma vida marcado por momentos significativos, o site Aventuras na História separou 5 particularidades sobre a vida de Isabel

1. Amizade com André Rebouças 

Em entrevista ao O Globo, no ano de 2021, a historiadora Mary Del Priore, que já escreveu importantes obras sobre o Brasil Império, relembrou a amizade da filha do imperador com André Rebouças, que fez um curioso registro em seu diário a respeito da visão da princesa em relação a abolição da escravatura. 

Crédito: Arquivo Nacional

Ressaltando que o papel de Isabel no processo de abolição foi 'muito pequeno', Priore diz que o registro presente no diário do engenheiro, de 1888, é o primeiro 'gesto (de Isabel) em favor da abolição'. 

"Ou seja, podemos dizer que ela se torna abolicionista apenas três meses antes de 13 de maio. Em Petrópolis ela passa a fazer atividades filantrópicas, oferece chás e almoços para escravos fugidos", disse a historiadora ao veículo. 

2. A assinatura 

Uma carta escrita por Isabel após a assinatura da Lei Áurea, relembrada pela Agência Brasil em 2021, mostra a alegria de Isabel e o alívio diante do episódio marcado na história do Brasil.

“Foi com o coração mais alliviado que perto de uma hora da tarde partimos para o Rio a fim de eu assignar a grande lei, cuja maior gloria cabe a Papae que há tantos annos esforça-se para um tal fim. Eu também fiz alguma cousa e confesso que estou bem contente de também ter trabalhado para idéa tão humanitaria e grandiosa”, escreveu ela. 

3. Na bolha

Como relembramos no começo da reportagem, a princesa Isabel encarou momentos marcantes diante da ausência do pai, contudo, a historiadora enfatizou na entrevista que quem assumia essas questões era o Conde d’Eu, marido da princesa. 

"E ela assinava os papeis. Nunca foi envolvida com política. Tanto é que não tinha menor ideia no golpe republicano", explica Mary.

Isabel em família /Crédito: Grão Pará

Assim, a historiadora relembra que Isabel viveu numa 'bolha', marcada pela dedicação aos filhos. 

"Vivia isolada numa bolha preparando os filhos para a primeira comunhão, preocupada com a alfabetização de um deles que tinha um problema no braço, gostava de fazer sorvete... Era uma vida de dona de casa", explica. 

4. Sem estrondosos bailes

Diante do que é apresentado pela historiadora, não é de se espantar o fato de que Isabel não foi uma mulher que viveu com extravagâncias e valorizava a filantropia e caridade.

"A princesa sempre foi uma mulher de amigas, de fazer filantropia e caridade", disse Mary ao veículo. "Não era de fazer grandes bailes, mas tinha uma vida de muita caridade e voltada para a família. E seguiu assim até sua morte, em 1921". 

5. Castelo na Normandia

Após a queda da monarquia, a família imperial foi banida do Brasil. Com a ascensão da República, Dom Pedro II e seus familiares foram para a Europa e tiveram destinos diferentes. 

Neste período, como relembrou a historiadora, a princesa vivenciou a morte da mãe, em Portugal, e o óbito do pai, na França. Morando na Normandia, sem muito dinheiro, a princesa e seu companheiro também encararam a morte de dois filhos. 

"A princesa e o conde chegam sem muitos recursos e quando o sogro falece eles recebem um dinheiro que usam para comprar um castelo na Normandia, onde moraram até o fim da vida", diz Mary.


Pedro, herói de Portugal

A saga de Dom Pedro I, avô da Princesa Isabel, após deixar para trás o trono do Brasil é relembrada num episódio do podcast 'Desventuras na História'.

Com narração de Vítor Soares, professor de História e idealizador do podcast 'História em Meia Hora', o episódio relembra os momentos que marcaram essa fase da vida do imperador.

Confira abaixo!