Desventuras » Arqueologia

Artefatos do século 18 são encontrados em Mariana, MG

Os objetos foram identificados sob a praça da cidade — que foi devastada pelo rompimento da barragem de Fundão, em 2015

Pamela Malva Publicado em 12/01/2022, às 19h30

Fotografia de moedas encontradas em Mariana, Minas Gerais
Fotografia de moedas encontradas em Mariana, Minas Gerais - Divulgação/ Fundação Renova

Em novembro de 2015, o município de Mariana, em Minas Gerais, foi devastado pelo rompimento da barragem de Fundão, um dos maiores desastres naturais do Brasil. Agora, estudos arqueológicos realizados na praça Gomes Freire, um ponto turístico da cidade, revelaram diversos artefatos datados do século 18 escondidos no subsolo.

Segundo a Revista Galileu, as escavações fazem parte das iniciativas da Fundação Renova, em parceria com a prefeitura local, para alimentar o turismo e o potencial socioeconômico da cidade. Nesse sentido, as descobertas foram realizadas durante obras de requalificação na região, em compensação pelo rompimento da barragem.

Sob a praça, então, os pesquisadores encontraram cravos de ferro, vidros de tinteiros, louças e até cachimbos de cerâmica, usados por escravos no século 18, durante o início da ocupação da cidade. Alguns dos artefatos mais inusitados, contudo, foram moedas de diversos períodos, provavelmente depositadas em um antigo chafariz.

Cachimbos de cerâmica encontrados sob a praça / Crédito: Divulgação/ Fundação Renova

 

Bolinhas de gude e cabeças de bonecas de porcelana também foram identificadas na praça, indicando que ela era comumente utilizada por crianças como área de lazer — isso sem contar a presença de artefatos mais recentes, como pingentes de metal.

“Esse foi um trabalho cuidadoso de pesquisa arqueológica, no qual conseguimos evidenciar e registrar com detalhes os fragmentos e todas as estruturas encontradas, evidenciando assim, a apropriação da comunidade no espaço ao longo do tempo”, narrou Danielle Lima, especialista em arqueologia da Fundação Renova.

Para a estudiosa, os achados trazem consigo informações valiosas sobre os costumes, religiões e relações socioeconômicas que permeavam a cidade nos séculos passados. Isso porque, segundo Ângelo Lima, o arqueólogo coordenador-geral das análises, a região já era utilizada pela população muito antes de virar uma praça.

Cabeça de boneca e búzio encontrados na praça / Crédito: Divulgação/ Fundação Renova

 

“Fragmentos de vasilhas de pedra sabão, louça e cerâmica, por exemplo, mostram que desde o século 18 as pessoas utilizavam a praça em momentos festivos para se alimentarem”, explicou o especialista, citando a descoberta de vasilhas quebradas, além de fragmentos de ossos de porco, boi e frango.

É importante pontuar que, além dos achados, as escavações ainda revelaram galerias de pedra no subsolo da praça Gomes Freire. Segundo os especialistas, as estruturas provavelmente eram usadas para transportar água até as casas e chafarizes do local.

Diante da descoberta, muitas das galerias foram registradas, a fim de preservar o maior número possível das antigas estruturas. Os artefatos encontrados, por sua vez, devem ser catalogados e enviados para o Museu de Ciências Naturais da PUC Minas, em Belo Horizonte, para que possam ser estudados com mais profundidade.