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Desventuras / Egito Antigo

Alvo de ladrões de túmulos: A curiosa múmia do faraó Amenófis I

Um estudo do ano passado “desembrulhou” digitalmente os restos do rei egípcio e revelou características ocultas por milênios

Isabela Barreiros Publicado em 06/01/2022, às 10h51 - Atualizado em 08/07/2022, às 06h00

A múmia de Amenófis I - Creative Commons / Sahar N. Saleem & Zahi Hawass
A múmia de Amenófis I - Creative Commons / Sahar N. Saleem & Zahi Hawass

Amenófis I foi o segundo faraó da 18ª dinastia do Egito Antigo, reinando por cerca de 21 anos, com um governo geralmente datado de 1526 a 1506 a.C. Sua múmia foi encontrada não em seu túmulo original, mas no complexo de Deir el-Bahri, junto a outros reis.

Devido à boa conservação e à impressionante máscara funerária que o envolve, além das guirlandas de flores e cartonagem, o egípcio passou anos sem ser amplamente estudado, passando apenas por algumas radiografias.

Os cientistas não queriam danificar o valioso material que haviam encontrado. Para isso, um estudo do ano passado conseguiu examinar o que havia dentro do invólucro sem abri-lo de fato, o que não causou nenhum prejuízo ao corpo.

A múmia foi “desembrulhada” digitalmente por uma equipe de pesquisadores liderada por Sahar Saleem, professora de radiologia da Universidade do Cairo e principal autora do artigo, e Zahi Hawass, famoso egiptólogo que atuou como co-autor do estudo.

A investigação contou com uma tomografia computadorizada tridimensional para investigar os restos mortais de Amenófis I e revelar o interior do sarcófago, visto que a última vez que ele havia sido aberto foi apenas no século 11 a.C.

Múmia de Amenófis I / Crédito: Creative Commons / Sahar N. Saleem & Zahi Hawass

Segundo relembra a revista Galileu, a múmia foi aberta em ocasião de restauração de outros corpos mumificados de períodos mais antigos, que haviam sido danificadas por ladrões de túmulos, e estavam sendo reparadas por sacerdotes da 21ª Dinastia egípcia.

Isso porque a múmia do faraó também havia sido roubada e levada para o complexo que guardava os restos de reis e nobres, localizado acima do Templo Mortuário de Hatshepsut. Ela chegou a ser enterrada duas vezes depois da morte de Amenófis, no século 16 a.C.

Descobertas do estudo

Com a pesquisa, foi possível revelar as características físicas da histórica figura 140 anos após a descoberta de seus restos mortais a partir da análise digital de sua múmia, que não danificou o material encontrado.

Segundo Sahar Saleem, o faraó teria cerca de 35 anos quando morreu — idade diferente do que sugeriram os pesquisadores responsáveis pelas duas tomografias anteriores da múmia, que apontaram, primeiro, entre 40 a 50 anos e, depois, 25 anos.

"Ele tinha aproximadamente 1 metro e 69 cm de altura, era circuncidado e tinha bons dentes. Dentro de seu invólucro, ele usava 30 amuletos e um cinto de ouro exclusivo com contas de ouro", explicou a especialista em nota.

"Amenhotep I parece ter se parecido fisicamente com seu pai: ele tinha um queixo estreito, um nariz pequeno e estreito, cabelo encaracolado e dentes superiores ligeiramente protuberantes", completou a radiologista.

Ela também ressaltou que não foi possível observar nenhum ferimento ou desfiguração em decorrência de doença que permitissem que os cientistas indicassem a causa da morte do faraó. O rei tinha apenas muitas mutilações.

Imagens de Amenhotep I / Crédito: Creative Commons / Sahar N. Saleem & Zahi Hawass

Para os cientistas, os ladrões de túmulos foram responsáveis por essas marcas. “Suas entranhas foram removidas pelos primeiros mumificadores, mas não seu cérebro ou coração”, apontou.

No entanto, durante o estudo, também foi possível confirmar a antiga teoria de que 300 anos após a morte, sacerdotes reembalsamaram Amenófis, depois que seu túmulo foi supostamente saqueado.

Com essa constatação, os pesquisadores descartaram a tese de que os restauradores de múmia iriam reutilizar os objetos do túmulo de Amenófis I para os próximos faraós que morressem, uma hipótese que era acreditada por ambos os pesquisadores envolvidos na pesquisa.

As conclusões dos egiptólogos foram publicadas no periódico Frontiers in Medicine e podem ser lidas aqui.


Nomes do Egito Antigo são relembrados no ‘Desventuras na História’, novo podcast do site Aventuras na História com narração do professor de História Vítor Soares, dono do podcast 'História em Meia Hora'.

Abaixo, você confere de forma descontraída a saga completa de Akhenaton, o faraó do Egito Antigo visto como representante de Aton.