Facebook Aventuras na HistóriaTwitter Aventuras na HistóriaInstagram Aventuras na HistóriaSpotify Aventuras na História
Desventuras / Curiosidades

De tripas de carneiro a papel: Como eram camisinhas do passado

Preservativos utilizados pelos antigos chamam atenção nos dias atuais

Redação Publicado em 12/02/2022, às 08h00

Uma camisinha antiga - Divulgação / Museu de Ciência de Londres
Uma camisinha antiga - Divulgação / Museu de Ciência de Londres

Você sabe como eram feitos os preservativos no passado? Tripas de animais, papel de seda, entre outros materiais podem parecer alternativas insólitas hoje em dia. No entanto, é preciso compreender que muitas das facilidades das quais a humanidade dispõe atualmente foram originadas a partir de tecnologias bastante recentes. É o caso dos métodos contraceptivos.

De acordo com historiadores, as primeiras camisinhas que temos notícia remontam ao Egito Antigo. Como afirmou Aine Collier, autora de "The Humble Little Condom: A History" ('A Pobre pequena camisinha: uma história', em português), em entrevista ao G1 em 2008, "o rico egípcio usava finas camisinhas de papiro e garantiam que elas estariam salvas após a sua morte, elaborando coberturas para o pênis feitas de couro e pele".

Ela explica ainda que o uso de preservativos também era mencionado na poesia grega. Contudo, foi somente na Idade Média que as práticas de prevenção atingiram o auge da criatividade.

Camisinha de tripa animal / Crédito: Divulgação / Museu de Ciência de Londres

De crina de mula a couro fino

Naquela época, tanto homens quanto mulheres eram aconselhados a utilizar uma cobertura de pelos de crina de mula durante as relações sexuais.

"Eles acreditavam que o artefato era mágico e prevenia a gravidez", explicou Collier. A professora ainda destacou uma prática inusitada datada da época do Renascimento: muitas mulheres colocavam aranhas mortas embaixo do braço para não engravidarem. "Claro que nada disso funcionava".

"No século XIX, mulheres alemãs bebiam chás feitos de folhas de árvores que não davam frutos, pois elas acreditavam que se as árvores não davam frutos elas também não engravidariam", disse ela.

Preservativo de linho com manual em latim, datado de 1813 / Crédito: Wikimedia Commons / MatthiasKabel

Um artigo publicado pela Real Sociedade de Medicina inglesa, apontou que os chineses usavam camisinha de papel de seda antigo para evitar a gravidez indesejada, enquanto os japoneses tinham o costume de utilizar uma carapaça feita de casco de tartaruga ou mesmo de couro fino. Já na Europa, os preservativos eram feitos a partir de intestino de ovelha, bezerro ou cabra. 

Segundo o G1, no ano de 1564, o anatomista Gabriello Fallopio fez uma pesquisa com camisinhas de linho, da qual participaram 1100 homens. Conforme apontou o artigo, nenhum dos participantes contraiu sífilis, o que levou Fallopio a afirmar que teria inventado uma carapuça que protegia contra a doença.

Camisinhas atuais

Tudo mudou por volta de 1840, quando Charles Goodyear criou o processo de vulcanização da borracha. Foi assim que produtores norte-americanos começaram a abricar as primeiras camisinhas feitas desse material.

No entanto, no princípio elas eram duras e desconfortáves, de modo que a grande maioria das pessoas preferiu continuar a utilizar os antigos preservativos de origem animal. 

Preservativos de látex / Crédito: Divulgação / Museu de Ciência de Londres

O cenário começou a mudar no final do século 19, quando alemães modificaram o produto e o tornaram mais confortável.

Uso proibido

De acordo com Collier, o uso de preservativos foi proibido em diferentes contextos ao longo da história, como foi o caso da Alemanha Nazista.

"O mesmo ocorreu na Itália e Espanha. Os franceses baniram a camisinha após a Segunda Guerra Mundial - eles tinham perdido tantos homens que temiam que a população diminuísse drasticamente", explicou a professora.

Também os Estados Unidos chegaram a proibir o uso em 1870. "Elas ainda eram fabricadas, vendidas e usadas em segredo até o século XX", disse Collier

Histórias curiosas...

Fatos e momentos diversos que marcaram a história são relembrados no podcast 'Desventuras na História', narrado pelo professor de História Vítor Soares, do podcast 'História em Meia Hora'.

Abaixo, você confere o episódio "Itens que só existem por causa da Segunda Guerra":