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Gengis Khan e a busca pela vida eterna

Do que adianta conquistar o mundo e não viver o bastante para desfrutar suas vitórias?

Victor Alexandre Publicado em 14/11/2021, às 10h00 - Atualizado em 16/11/2021, às 13h23

Ilustração do líder mongol em cédula
Ilustração do líder mongol em cédula - Pixabay

Provavelmente esse tipo de pensamento já passou pela mente de vários guerreiros ao longo da história, inclusive foi algo que o grande conquistador Genghis Khan também pensou. Kahn foi o fundador e maior líder do Império Mongól, que teve início no nordeste da Ásia e conquistou praticamente todo o continente, além do Oriente Médio e de áreas da Europa Oriental.

Genghis Khan foi líder de um dos maiores, mais fortes e mais sanguinários exércitos que o mundo já viu, só tinha um problema: Khan estava envelhecendo. Para sua sorte, a partir do século XII surgiram na Ásia algumas seitas religiosas que afirmavam ter o segredo para a imortalidade.

Religiosidade na Ásia

No continente asiático existiam praticamente três religiões que tinham um grande número de adeptos: o Budismo, o Taoísmo e o Confucionismo (que para muitos é mais uma filosofia do que uma religião). Mesmo que existam uma série de diferenças entre esses tipos de pensamento, os três buscam o equilíbrio do ser humano com os outros elementos da vida.

Por volta do século XII, no Leste da Ásia existiu um homem chamado Wang Chongyang que afirmou ter tido contato com dois sábios que eram imortais. Após esse encontro, Wang criou uma seita taoísta chamada Quanzhen que misturava os elementos do budismo e do confucionismo. Não demorou muito para que o Quanzhen fosse associado à longevidade da vida, só que para isso os praticantes dessa religião deveriam aprender a manipular a alquimia e praticar o celibato (nada de usar o Tinder).

Em 1188 Wang Chongyang foi convidado pelo Império Chinês da dinastia Jin para compartilhar seus conhecimentos com o Imperador. Mas como o líder chinês e o próprio Wang morreram no ano seguinte, o Quanzhen não foi muito levado a sério naquele momento.

As coisas começaram a mudar radicalmente quando um dos discípulos de Wang chamado Qiu Chuji fundou uma escola taoísta chamada Portão do Dragão. Além de ter esse nome sensacional Qiu deu continuidade aos ensinamentos do Quanzhen fazendo com que seu nome se tornasse famoso por toda a Ásia.

Genghis Khan e o Quanzhen

Após ter fundado seu império, Genghis Kahn estava focado em expandir seus domínios, só que um rumor chamou sua atenção: correu um boato de que Qiu Chuji, o líder do Quanzhen, tinha 300 anos de idade! Nesse momento, o religioso estava instalado dentro da China sob comando da dinastia Jin, que era inimiga de Kahn.

Genghis Khan ordenou que um mensageiro fosse até a China buscar Qiu Chuji, com o objetivo de conhecer os mistérios da vida eterna. Só que além desse interesse em viver mais, Genghis Khan também estava de olho no território em que Qiu vivia, e acreditava que o sábio poderia dar informações valiosas sobre como invadir a região. Por outro lado, alguns conselheiros de Khan incentivaram o encontro porque acreditavam que após conhecer Qiu Chuji, o líder mongól se tornaria menos violento.

O exército de Khan usava de técnicas muito cruéis para vencer suas batalhas, a historiadora Elaine Senise Barbosa detalha uma das técnicas usadas para derrotar seus inimigos:

“Para manter cercos prolongados os homens de Khan recorriam aos saques contra as aldeias rurais, devastando os campos, escravizando e matando seus habitantes.” Contra os mongóis tinham apenas duas alternativas: rendição para se tornar um servo ou a morte.

Genghis Khan encontra a imortalidade

Os mensageiros do líder mongól chegaram à China em 1219 para levar Qiu Chuji para conhecer Khan. Como naquela época não tinha nenhum trem-bala ou algo assim, a viagem durou mais de 3 anos!

Durante a viagem Qiu Chuji pôde ver com seus próprios olhos o tamanho da devastação e a quantidade de mortes que o exército daquele que o havia convidado tinha causado. Quando passaram pela região de Yehuling, os ossos humanos daqueles que haviam morrido em batalha ainda estavam expostos.

Após uma longa (e traumática) viagem, Qiu Chuji e Genghis Kahn se encontraram no dia 22 de maio de 1222 na região onde hoje se encontra o Afeganistão. Assim que estavam no mesmo ambiente, Khan perguntou: "Homem santo, você veio de uma grande distância. Você tem um remédio para a imortalidade?". Mesmo sabendo quem Khan era e o quão violento ele poderia, ser Qiu Chuji respondeu: "Existem meios para preservar a vida, mas nenhum remédio para a imortalidade".

Por mais incrível que pareça Gengis Khan elogiou a honestidade de Qiu, dizendo que um homem idoso ir tão longe só para dizer não ao Kahn precisava de coragem. Genghis Khan armou uma tenda ao lado de seu palácio para o convidado, mas Qiu recusava todos os encontros com o imperador.

Qiu Chuji só pôde voltar para casa em 1224 em uma viagem com a comitiva do próprio Genghis Khan de volta para a sede do império mongól. Durante a viagem Khan e Qiu conversavam e trocavam experiências, e o líder religioso falava que uma das ferramentas para prolongar sua vida era o celibato, informação que foi completamente ignorada por Khan, que de acordo com uma pesquisa da American Journal of Human Genetics, 2,5% dos homens do leste da Ásia possuem genes de Genghis Khan - o cara não brincava em serviço!

Ao retornarem para o leste da Ásia, quis o destino que tanto Genghis Khan quanto Qiu Chuji morressem no mesmo período. Ambos atestaram a finitude da vida em agosto de 1227.

A saga do conquistador

Diante da trajetória do líder mongol, sua vida pública e íntima é tema do novo episódio do podcast 'Desventuras na História'. Com minha narração, você poderá conhecer a trajetória e entender como Genghis Khan se tornou um dos nomes mais intrigantes da História.

Confira abaixo o episódio!