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Desventuras / Curiosidades

O homem que previu os celulares como usamos hoje: "Ele será portátil"

Em 1953, presidente da Pacific Telephone & Telegraph Co. deixou sua impressão sobre o telefone no futuro: "Usuários poderão se ver, caso queiram, enquanto falam"

Fabio Previdelli

por Fabio Previdelli

fprevidelli_colab@caras.com.br

Publicado em 18/05/2024, às 12h00 - Atualizado em 19/05/2024, às 13h12

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Alexander Graham Bell usando um telefone em 1892 - Domínio Público
Alexander Graham Bell usando um telefone em 1892 - Domínio Público

Em 10 de março de 1876, Alexander Graham Bell fez a primeira transmissão oficial de seu aparelho recém-inventado: o telefone. Na ocasião, o escocês estava no último andar de uma hospedaria em Boston, nos Estados Unidos, quando se comunicou com seu assistente Thomas Watson, que trabalhava no térreo.

Senhor Watson, venha para cá. Preciso falar com você", afirmou Bell. 

Ali começava a história do dispositivo que mudaria o mundo. Em maio daquele ano, o inventor levou o telefone, já patenteado, para a Exposição Internacional — que celebrava o Centenário da Independência Americana — na Filadélfia. 

Cerca de dois meses depois, Dom Pedro II, então imperador do Brasil, chega aos Estados Unidos e conhece pessoalmente Graham Bell, ficando encantado com sua invenção. "Meu Deus, isto fala!", exclamou Pedro II ao testar o dispositivo. 

Ainda em 1876, em 9 de outubro, aconteceu a primeira conversa por telefone entre duas cidades diferentes: Boston e Cambridge, ambas nos EUA. Menos de um ano depois de tudo isso, a primeira empresa telefônica do mundo já operava, a Bell Telephone Company, com 800 telefones.

Alexander Graham Bell - Library and Archives Canada

Em quase 150 anos de avanços tecnológicos, quem poderia imaginar como seria o futuro dos telefones? Quem poderia imaginar que o dispositivo caberia em nossos bolsos? Reproduziriam nossas imagens? Ou até mesmo integraria diversas outras ferramentas?

Pode parecer loucura, mas em abril de 1953, o presidente da Pacific Telephone & Telegraph Co, Mark R. Sullivan, deixou sua impressão sobre o futuro do telefone: "Ele será portátil. Talvez tão portátil quanto um relógio". Mas a discussão sobre o telefone vai  além disso; entenda!

O verdadeiro inventor

Em 15 de junho de 2002, o Congresso dos Estados Unidos, através da resolução 269, reconheceu o italiano Antonio Meucci como verdadeiro inventor do telefone, ou do "telettrofono" ('telégrafo falante') como ele mesmo chamou o dispositivo. 

Segundo a Agência Brasil, Meucci, que é natural de Florença, participou da unificação da Itália, mas acabou sendo perseguido e teve que se mudar para Cuba antes de chegar nos Estados Unidos. 

Foi justamente no país, em 1856, que ele criou uma espécie de telefone eletromagnético. Entretanto, sem muitos recursos, conseguiu apenas a patente provisória de seu 'telettrofono'

Nos anos 1870, Meucci chegou a reclamar sobre os direitos da invenção, mas Alexander Graham Bell havia conseguido a patente do dispositivo em 1876. Os dois compartilharam um laboratório nos Estados Unidos tempos antes. O escocês foi o único a lucrar com sua 'invenção'. 

Antonio Meucci - Domínio Público

O italiano processou o escocês, mas morreu em 1889, antes da resolução do caso. Conforme relatada pelo Congresso norte-americano, Meucci fez a primeira demonstração pública de seu telefone em 1860; sendo publicada em um jornal de língua italiana de Nova York. 

Ele havia criado o dispositivo para cuidar de sua esposa doente, que estava encamada. Enquanto a mulher ficava no seu quarto, no andar superior de sua casa, Meucci tinha que trabalhar no laboratório que ficava no térreo. Para sempre estar atento à situação da amada, ele criou o telefone para que ela, sempre que precisasse de ajuda, não tivesse que gritar ou se levantar da cama. 

Telefone do futuro 

Após saber de tudo isso, voltamos a outro ponto importante sobre o telefone: o homem que previu o futuro do dispositivo. Em abril de 1953, Mark. R. Sullivan, presidente da Pacific Telephone & Telegraph Co, foi entrevistado pela Associated Press para falar sobre como imaginava o telefone no futuro. 

A entrevista foi publicada em diversos jornais dos Estados Unidos, como o Boston Globe, e chama a atenção pela previsão certeira feita por Sullivan. "É pura especulação imaginar o futuro do telefone", começa. "Mas aqui vai a minha profecia: em seu estágio final de evolução, ele será portátil. Talvez tão portátil quanto um relógio".

Provavelmente não terá disco, nem algo equivalente. Também acho que os usuários poderão se ver, caso queiram, enquanto falam. E, quem sabe, o aparelho poderá traduzir de uma língua para a outra", finaliza. 

Naquela época, vale recordar, os telefones ainda eram fixos, ligados por fios de cobre. Mas, ainda assim, a principal parte para tudo isso já estava feita: seu modo de funcionar. Os telefones nada mais são do que um aparelho que, em seu ponto de transmissão, transforma a energia acústica em energia elétrica; e sem seu ponto de recepção, faz o processo inverso, permitindo a troca de informações através da fala entre dois ou mais usuários. 

Acontece que a grande diferença entre a telefonia fixa e a móvel, conforme explica matéria da SuperInteressante, está no seu modo de transmissão, o fluxo de elétrons contra o envio via ondas eletromagnéticas, respectivamente. 

Mas, em 1953, essa segunda tecnologia já estava bem desenvolvida, visto que o telégrafo sem fim havia sido inventado em 1894, por Guglielmo Marconi. Assim, não era nenhum absurdo imaginar que um dia o telefone pudesse operar por ondas magnéticas que transmitissem não apenas o som como também imagem.