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Desventuras / Fusca

O papel de Adolf Hitler no sucesso do Fusca

Um dos modelos automotivos mais populares do mundo só logrou graças aos planos do ditador nazista

Fabio Previdelli | @fabioprevidelli_ Publicado em 29/05/2022, às 20h34 - Atualizado em 07/06/2022, às 16h51

Adolf Hitler e um Fusca - Domínio Público e Vwexport1300 via Wikimedia Commons
Adolf Hitler e um Fusca - Domínio Público e Vwexport1300 via Wikimedia Commons

O Fusca é um dos modelos automotivos mais populares do mundo. Fabricado pela companhia alemã Volkswagen entre 1938 e 2003, se tornou o carro mais vendido do mundo em 1972, quando ultrapassou o estadunidense Ford Modelo T. 

Ao longo de 65 anos, mais de 21 milhões de fuscas foram fabricados segundo a Revista Winston-Salem, o que faz do modelo o mais produzido do mundo. Entretanto, o que poucos sabem, é que o Fusca quase não teve esse sucesso todo e foi graças a Adolf Hitler que o modelo se tornou o que é. 

O Fusca

A história do Fusca vai muito além dos carros produzidos pela Volkswagen, passando por projetos que envolvem diversas empresas e até mesmo governos. Tudo começou no início da década de 1930. Àquela altura, a Alemanha vivia uma dura recessão econômica e o país apresentava um dos piores níveis de motorização de toda a Europa. 

É verdade que carros como o Fusca já haviam sido conceituados por outros engenheiros, como o projetista austro-húngaro Béla Barényi; ou então por modelos semelhantes, como o Superior, idealizado por Joseph Ganz e produzido pela Standard, aponta o Automotive Hall of Fame. 

Mas o fato é que a ideia cativou mesmo o austríaco Ferdinand Porsche, que era bem conceituado na época, principalmente por abrir seu próprio escritório de desenhos. Com sua empresa, recebeu uma encomenda da Wanderer para criar uma linha de sedãs de luxo, que tinha um design parecido com a do Fusca. 

Ferdinand Porsche/Crédito: Bundesarchiv via Wikimedia Commons

Ainda em 1931, a fabricante de motos Zündapp passou a investir na produção de um carro popular alemão e encomendou à Porsche um protótipo. Como de praxe, o projetista construiu três, que ganharam o nome de ‘Tipo 12’. 

No ano seguinte os primeiros modelos já estavam concluídos, ainda um pouco diferente do que conhecemos do Fusca. Apesar dos avanços do projeto, problemas financeiros fizeram a Zündapp romper o contrato, diz Chris Barber em ‘Birth of the Beetle: The Development of the Volkswagon by Ferdinand Porsche’. 

É então que Ferdinand passou a negociar com outro fabricante a produção de um ‘Volkswägen’. Assim como a Zündapp, a NSU decidiu apostar no ramo automotivo. Com eles, Porsche refinou ainda mais o projeto anterior, tornando o Fusca muito mais parecido com o que conhecemos. Mas a NSU também rompeu o contrato, em 1933, por não conseguir levantar o capital necessário.

Hitler e o Fusca

Naquele ano, Adolf Hitler tinha acabado de chegar ao poder e lutava pela modernização de seu país. Desta forma, via com grande expectativa a criação de um ‘carro do povo’, não só feito por trabalhadores alemães, mas também para famílias alemãs viajarem por todo o país. O modelo seria a realização de sua plataforma política. 

Assim, o Führer iniciou o projeto do veículo e recebeu propostas de três engenheiros: Josef Ganz, Edmund Rumpler e Ferdinand Porsche. Como os dois primeiros eram judeus, segundo Albert Mroz em ‘The Volkswagen Beetle’, Porsche pareceu a escolha óbvia, ainda mais pelo fato dele ser amigo de Jacob Werlin, assessor para assuntos automotivos de Hitler.

Réplica do Zündapp "Typ 12", um dos protótipos do Professor Porsche/ Crédito: GNU Free Documentation License via Wikimedia Commons

Desta forma, em 22 de junho de 1934, Hitler e Porsche firmam um contrato para a produção do Fusca. Segundo matéria da Folha de São Paulo, o líder alemão havia estipulado que o modelo cumprisse algumas exigências, como ser um automóvel robusto e econômico. 

Além do mais, o carro deveria ser capaz de levar dois adultos e três crianças com comodidade, ou então três soldados e uma metralhadora. O modelo também deveria ser capaz de atingir a velocidade média de 100 quilômetros por hora — e o consumo de combustível não deveria passar dos 13 km/litro, completa Jonathan Madeira em ‘The Volkswagen Beetle’.

Em 1936, surgem os primeiros protótipos do veículo, que passou a ser produzido de fato dois anos depois. O modelo, então, ganhou o nome de KDF-Wagen uma sigla que significava "Kraft durch Freude" (ou ‘Força pela Alegria’, em tradução livre) — que era o mesmo nome da associação que ficou incumbida de vender o automóvel. 

As vendas e o pós-Guerra

À época, segundo a Folha, os veículos eram vendidos por meio de um consórcio. Cada cliente recebia uma cartela com selos e sempre que a mesma fosse preenchida, a pessoa tinha direito a um carro.

Entretanto, com a explosão da Segunda Guerra Mundial, a produção do Fusca acabou sendo paralisada, visto que veículos anfíbios e utilitários com fins militares se tornaram prioridade. Muitos deles, aliás, foram produzidos na fábrica do Fusca. 

Após o fim do conflito, em 1945, muitas coisas atreladas aos nazistas foram extinguidas, mas o Fusca não foi uma delas. O modelo caiu nas graças dos ingleses, que enxergavam que o veículo atendia às necessidades das forças Aliadas. Assim, os britânicos retomaram sua fabricação. 

Posteriormente, o veículo também fez parte da reconstrução econômica da Alemanha, que passou a exportar o modelo ao fim daquela década. Neste mesmo período, o Fusca ganhou uma nova imagem, a de ‘besouro’ — apelido que acompanha o carro da Volkswagen até hoje. 

Em 1950, aponta a Folha, as primeiras unidades do modelo chegaram ao Brasil. Por aqui, recebem o nome de Volkswagen Sedan. No ano seguinte, o Fusca passou a ser montado em terras tupiniquins a partir de lotes vindos da Alemanha. Em 1953, cerca de 1.200 unidades já haviam sido produzidas. 

O Fusca se tornou ‘nacional’ em março daquele mesmo ano, quando a Volks alugou um galpão no bairro do Ipiranga, zona sul de São Paulo. Àquela época, a estrutura contava com apenas 12 operários, que eram responsáveis pela produção do chamado Sedan 1200. Em 18 de novembro de 1959, a fábrica Anchieta é inaugurada em São Bernardo do Campo.

Você sabia?

Alguns itens que até hoje são cruciais em nossa rotina só existem por causa da Segunda Guerra. No podcast 'Desventuras na História', o professor de História Vítor Soares relembra a origem de muitos deles. 

Confira!


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