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Quer conquistar o mundo? Pergunte aos mongóis como!

Quem olha para a Mongólia nos dias de hoje talvez não enxergue grandiosidade

Hugo Oliveira Publicado em 11/11/2021, às 15h39

Representação dos antigos mongóis
Representação dos antigos mongóis - Aventuras na História

Estendendo-se por uma área de pouco mais de 1,5 milhão de km² e comportando menos de 3 milhões de habitantes, a mongólia já foi um dos maiores impérios da história em se tratando de extensão contínua de terra, tendo sob seu domínio aproximadamente um terço de toda a população do globo terrestre.

Esses números podem parecer absurdos atualmente, mas durante o período que vai do ano de 1206 a 1368, guardadas as devidas proporções, só deu Mongólia no tabuleiro desse “War” da vida real – jogo clássico com temática baseada em conflitos mundiais.

Estamos falando de um império que, a partir do advento de Genghis Khan, chefe mongol que aglutinou várias tribos nômades com “apenas” três ingredientes – guerra, política e conservadorismo –, fincou sua bandeira em quase 20 milhões de km2.

Esqueça o jogador de futebol português Cristiano Ronaldo, com seus quase 370 milhões de seguidores no Instagram: nos tempos de Khan, redes sociais, popularidade, networking... Era tudo mato. Tipo “Mato e conquisto”. 

Getty Images

 

Sob o domínio do medo, sobreviver é troféu

Herói para uns, vilão para outros, o guerreiro de nome Temujin, a partir da proclamação oficial que o transformou em Genghis Khan, levou o país ao topo dos principais conquistadores mundiais.

De 1200 a 1227, este último, ano de sua morte, ele guerreou, matou, conquistou e venceu como ninguém, encontrando no mix de militarismo e leis rigorosíssimas, a sua razão de ser, o seu “tudo pra mim”.

E quanto aos mongóis? Como não seguir um líder com preceitos tão “fofos”, como o que dizia que aqueles que não obedecessem perderiam, literalmente, a cabeça? Ok, não dá para bater o martelo quanto ao papel único e exclusivo do medo na criação, extensão e no sucesso avassalador do Império Mongol – até porque, uma corrente historiográfica mais recente questiona essa violência extrema relacionada a Khan. Mas que foi um fator de significativa relevância, isso foi.

Encher o tanque até o talo com um combustível feito de horror, sangue e luta era, aparentemente, o modus operandi dessa Ferrari asiática impiedosa que passava por cima de países e povos tão diversos, em intermináveis campanhas que seguiram até mesmo depois do falecimento de Khan.

Nelas, ricos e pobres não eram poupados, o que teria levado povoados inteiros à morte. Outros conseguiam escapar porque, sabendo da fama dos mongóis e de Khan, rendiam-se, pagavam o que tinham e o que não tinham e até mesmo desfaziam-se das mulheres e escravos que possuíam... Sobrevivência que chama, né?

Aquela Mongólia morreu, mas passa bem

Territórios pertencentes a chineses, muçulmanos, russos, poloneses, húngaros e muitos outros foram, um a um, sendo dominados por um líder cheio de carisma e crueldade, que guiava um exército engenhoso e extremamente disciplinado a inúmeras conquistas, que pareciam intermináveis... Pareciam.

O império começou a desmoronar quando a unidade do projeto foi dando adeus. Ao ser dividido em reinos, já liderado pelos sucessores de Khan, a coisa toda desandou. O ano era 1368, e a expulsão definitiva daqueles que descendiam de Temujin, na China, adiantou o velório.

E num território que, comparado ao Brasil, era 2,3 vezes maior que o país do carnaval, já dá para imaginar o tamanho do enterro de um dos maiores impérios que já andaram pelo planeta terra. De qualquer forma, ao longo do tempo – e põe tempo nisso! –, tudo caminhou mais ou menos em direção à normalidade.

Mesmo que a Mongólia de hoje não lembre em nada o colosso da época de Khan e de seus temidos homens, ela deixou marcada no imaginário coletivo uma história de triunfo, grandiosidade e violência.

Até mesmo em território verde e amarelo o nome Genghis Khan segue sendo lembrado, tanto pela figura do brilhante e controverso do líder dos mongóis quanto por uma canção pop dos anos 80, que ainda pode ser vislumbrada em vídeos do Youtube e em raros programas radiofônicos dedicados aos flashbacks.

“ (...) Genghis, Genghis, Genghis Khan / Deixa na História uma página de dor / Era o Genghis, Genghis, Genghis Khan / Foi ditador, foi herói, foi bandido / E a todos que encontrava (oh ho ho ho) / Matava e queimava (ah, ha, ha, ha) / Era o mais temido dos mortais”.

Por que o poder ainda é música para a maioria dos ouvidos.


A trajetória do líder é tratada no novo episódio do podcast 'Desventuras na História’, do site Aventuras na História. Relembrando a trajetória de nomes que marcaram o mundo onde vivemos, a produção conta com episódios sobre Maria Antonieta, Dante Alighieri e Alexandre, o Grande.

Narrado por Vítor Soares, professor de História e idealizador do podcast 'História em Meia Hora', Soares usa a plataforma para transmitir o conteúdo de forma descontraída.

Abaixo, você confere o episódio completo.