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A inteligência foi um fator determinante para a evolução humana

Entenda como a inteligência pode ser observada como fator evolucionário

Fabiano de Abreu* Publicado em 12/12/2021, às 09h00

Imagem meramente ilustrativa
Imagem meramente ilustrativa - geralt, via Pixabay

A evolução é entendida como aspectos biológicos e comportamentais que vão se transformando ao longo do tempo e que são passados hereditariamente. O DNA é onde se localizam tais transformações que, a longo prazo, podem alterar todo o padrão de uma espécie.

Muitos pesquisadores tentam compreender se a genética e a inteligência estão conectadas. Testes feitos em pessoas sem conexão umas com as outras, mas com similaridades genéticas e similaridades em seus testes cognitivos, mostraram que a genética é um fator importante no desenvolvimento da inteligência.

Porém, além da genética, é necessário considerar o meio como fator desenvolvedor da inteligência. A necessidade de se adaptar a florestas, desertos, áreas montanhosas e buscar alimentos provocam mudanças impressionantes no corpo humano.

Por isso, a inteligência pode ser observada como fator evolucionário, já que fatores internos e externos influenciam na sua constituição.

O processo adaptativo foi resultado de vários fatores como a capacidade de criar ferramentas, o manuseio do fogo, criar abrigos e aumentar a produção de alimentos. Entre todos esses avanços tecnológicos, dominar o fogo foi fundamental para a sobrevivência humana e o domínio dos outros seres vivos. O fogo possibilitou o estabelecimento do homem em uma localidade específica e a possibilidade da construção de comunidades.

Estudiosos defendem que a formação da cultura é algo único entre os seres humanos. A criação de uma sociedade complexa, baseada em leis, as comidas e músicas ligadas à tradições, possibilitou o desenvolvimento das capacidades mais surpreendentes do homem: tecnologia, cooperação, linguagem e inteligência.

A primeira mudança morfológica no cérebro aconteceu há 40 milhões de anos, girando a base craniana para baixo, provocando uma mudança na anatomia da face que trouxe os ossos para frente. Depois disso, o cérebro ficou mais complexo, o crânio mudou sua estrutura novamente e tomou um formato mais globular e após isso iniciou-se o processo de verticalização do hominídeo. A essência da evolução está dentro do corpo, exatamente na base craniana.

Um estudo com 1400 espécies de mamíferos verificou a relação entre o tamanho do corpo e o do cérebro. Os macacos de grande porte têm, geralmente, uma regularidade entre o tamanho do cérebro e do corpo, diferente dos hominídeos que apresentaram uma redução do tamanho do corpo e um aumento do cérebro.

O meu estudo concluiu que o cérebro humano se estabelece em alto padrão. As transmissões sinápticas, o desenvolvimento da sua estrutura e a neuroplasticidade são alguns dos elementos fundamentais para a formação da inteligência. Porém, é em conjunto com o meio que elas permitem que o homem obtenha faculdades importantes.

É válido destacar que a superioridade humana em relação aos outros seres vivos é subjetiva. Afinal, o ser humano é similar a outros organismos que buscam o seu próprio desenvolvimento e o desenvolvimento de suas inteligências procurando conservar a existência de sua espécie. Em relação a outros seres vivos, o ser humano é frágil e facilmente dominado por adversidades externas.

A escrita, a leitura, as artes, a ciência, a filosofia e os exercícios físicos foram fundamentais para o desenvolvimento cognitivo. Porém, nos últimos, isso tem sido freado pela internet que, apesar de ser um marco de desenvolvimento, alterou o estilo de vida e afetou a inteligência.


Fabiano de Abreu Rodrigues é PhD, neurocientista com formações também em neuropsicologia, biologia, história, antropologia, neurolinguística, neuroplasticidade, inteligência artificial, neurociência aplicada à aprendizagem, filosofia, jornalismo e formação profissional em nutrição clínica. Atualmente, é diretor do Centro de Pesquisas e Análises Heráclito; Chefe do Departamento de Ciências e Tecnologia da Logos University International e membro da Federação Européia de Neurociências e da Sociedade Brasileira e Portuguesa de Neurociências.