Testeira

A queda do Império e um novo Brasil

A proclamação da república não foi uma ação isolada

Fabiano de Abreu* Publicado em 17/11/2021, às 11h33

Quadro 'Proclamação da República', de 1893
Quadro 'Proclamação da República', de 1893 - Domínio Público/ Creative Commons/ Wikimedia Commons

No dia 15 de Novembro de 1989, o feriado de proclamação da República, celebra uma mudança radical no cenário político brasileiro. Naquele dia, uma monarquia de cerca de 70 anos deixava de comandar uma nação gigante e o regime decidido naquela época, é o que rege o Brasil até os dias atuais.

Porém, como todo fato histórico grandioso, a proclamação da república não foi uma ação isolada e sim resultante de diversos fatores que, aos poucos, alteraram a realidade social do país.

Facções começaram a dividir o cenário político brasileiro, fazendeiros da Paraíba apoiavam a monarquia e os do oeste paulista eram contrários à centralização do poder. Ao mesmo tempo, a propaganda republicana se fortalecia e diversas características do império começavam a ser questionadas.

O Brasil chegou num ponto em que a monarquia foi incapaz de conciliar as ambições das novas gerações e as novas visões políticas com as elites conservadoras. Assim, proclama-se a república e uma nova fase política e social é iniciada no país.

Porém, a população não viu grandes diferenças durante o governo de Deodoro da Fonseca, apenas pequenos grupos que tinham apoiado a causa, viam nesta nova forma política uma solução para o país.

Mas, é importante considerar que os alicerces do primeiro modelo de república eram incertos e tinham características muito próprias, além de contarem com influências que foram adaptando-se ao contexto.

A constituição de 1891, por exemplo, expressava valores assentados na filosofia política republicana-positivista, bem como em princípios do clássico liberalismo individualista e mantinha uma ordem socioeconômica que beneficiava apenas os segmentos oligárquicos regionais.

Podemos avaliar ainda, que o fato da proclamação da república ter sido realizada em um momento de fragilidade social e política brasileira, explica os inúmeros protestos e conflitos sociais que contestavam as questões políticas dentro do país.

A primeira república não deixou totalmente o modelo imperial de governo, as classes menos favorecidas não receberam as mudanças desejadas, porém, nem sempre conseguiram demonstrar os seus descontentamentos da maneira mais eficaz.

Este tema foi publicado na UniLogos como conclusão de graduação em antropologia.


Sobre o Dr. Fabiano de Abreu

Fabiano de Abreu Rodrigues  é PhD, neurocientista com formações também em neuropsicologia, biologia, história, antropologia, neurolinguística, neuroplasticidade, inteligência artificial, neurociência aplicada à aprendizagem, filosofia, jornalismo e formação profissional em nutrição clínica. Atualmente, é diretor do Centro de Pesquisas e Análises Heráclito; Chefe do Departamento de Ciências e Tecnologia da Logos University International e membro da Federação Europeia de Neurociências e da Sociedade Brasileira e Portuguesa de Neurociências.