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'Sociedade discreta': Desvendando os mistérios da maçonaria

Saiba mais sobre a origem da maçonaria e conheça algumas figuras históricas que já fizeram parte dessa sociedade

Fabiano de Abreu, neurocientista, biólogo e historiador Publicado em 26/08/2021, às 20h44

Imagem meramente ilustrativa de maçonaria
Imagem meramente ilustrativa de maçonaria - Imagem de OpenClipart-Vectors por Pixabay

Maçonaria: Uma palavra que muita gente já ouviu falar, mas poucos a conhecem de verdade. Exatamente por esse caráter “oculto”, a sociedade em geral não a conhece a fundo, o que alimenta uma vasta rede de boatos e informações equivocadas a seu respeito.

Para quem não conhece, ela se define pelas organizações fraternas que remontam às antigas fraternidades de pedreiros. Foi no final do século 14 que essa profissão teve suas qualificações regulamentadas e a sua interação com autoridades e clientes. De acordo com seu estatuto, a maçonaria se divide em três graus: "aprendiz", "companheiro" e "mestre maçom".

Ao candidato desses três graus é progressivamente ensinado os significados dos símbolos da maçonaria e é confiado a cumprimentos, sinais e palavras para indicar a outros membros que ele foi iniciado ou faz parte da ordem.

Além disso, muitos outros conhecimentos são ensinados, como uma escola de conhecimentos com muito embasamento histórico e científico. Por falar em científico, por isso, criou-se essa falsa ideia de que os maçons são uma seita do diabo.

Isso começou quando na maçonaria frequentavam os cleros da Igreja Católica, num período de transição, o iluminismo, em que também frequentavam cientistas e, estes, tornaram-se uma grande ameaça para a igreja exigindo a expulsão desses pesquisadores que queriam desvendar a verdade sobre tudo.

A maçonaria não aceitou a expulsão já que, um dos mandamentos fundamentais na ordem é não distinguir cor, profissão, crença ou qualquer diferença. Foi quando alguns grupos da maçonaria fundaram, à parte, os illuminatis, no intuito de fazerem estudos científicos. Foi quando a Igreja Católica começou a promover que os illuminatis eram vinculados a satanás, colocando assim a maçonaria neste patamar.

Alguns membros de algumas igrejas usam isso até hoje para alimentar no fiel a ideia da existência de algo maligno tentando assim convencê-lo da necessidade de estar na igreja. Com a existência de algo ruim, principalmente que se possa ver, há o medo e este, por sua vez, prende em suas convicções na esperança de salvação. É o instinto agindo para trazer mais segurança.

Voltando à maçonaria

O ponto de encontro dos maçons é num local chamado loja, que normalmente é supervisionada em nível regional (estado, província ou fronteira nacional) por uma obediência ou potência maçônica. Aliás, uma das questões mais comentadas é sobre a presença das mulheres na maçonaria. Tradicionalmente, somente os homens fazem parte, mas há alguns grupos que aceitam a participação feminina, inclusive, a maçonaria feminina cresce em diversos países desenvolvidos.

Estima-se que atualmente existem entre 4 e 6 milhões maçons no mundo. No Brasil, o primeiro ponto de encontro surgiu em 1796, em Pernambuco, pelo ex-padre carmelita Manuel Arruda Câmara, que deixou a batina e foi estudar medicina na França. Ao voltar para o Brasil, fundou uma sociedade filosófica que viria a influenciar a revolução pernambucana. Quase um Illuminati (risos).

É preciso entender que maçonaria não é religião nem um movimento político. Mas, ainda assim, seus membros foram alguns dos principais reformistas políticos e sociais de toda a história. O grupo também não pode ser chamado de clube de caridade nem de prestação de serviços, mas vários de seus membros administram excelentes instituições de caridade.

Este sucesso por trás de membros da maçonaria não se dá, como muitos pensam, por uma ajuda da ordem maçônica ou um poder do além, mas pelo simples fato de que, para ser convidado para a ordem, entre tantos requisitos, um deles, é a capacidade que a pessoa tem mediante a uma investigação que vai desde o presente, ao passado do membro.

Imagem meramente ilustrativa de maçonaria / Crédito: Imagem de OpenClipart-Vectors por Pixabay

 

Mas por que é considerada uma sociedade secreta? Ao contrário dessa expressão, uma que se encaixa melhor na denominação da maçonaria é "sociedade discreta". Isso acontece porque o grupo entende que o segredo é necessário para evitar a vulgarização ou a profanação dos conhecimentos e valores que norteiam as ações da irmandade.

Nos Estados Unidos, por exemplo, os maçons estão ligados ao grande desenvolvimento que o país teve ao longo de sua história. Na França, uma das frases mais célebres e reconhecidas da nação, que é "Liberdade, Igualdade e Fraternidade" é uma das bases da filosofia da maçonaria. Ou seja, isso mostra que o movimento sempre esteve presente em momentos cruciais da humanidade.

A título de curiosidade, alguns dos maçons mais famosos ao longo dos anos são: George Washington, Charlie Chaplin,Winston Churchill, Walt Disney, Bill Clinton, Neil Armstrong,Benjamin Franklin, Carlo Collodi do Pinocchio, Rei Edward da Inglaterra, Eberhard Faber da Faber Castell, Frederico II da Prússia, Mozart e muitos outros.

Entenda o símbolo

Sobre o famoso símbolo que define a identidade da maçonaria, ele é formado por três elementos: o compasso, o esquadro e a letra G. O primeiro faz referência às diversas formas de pensamento e raciocínio ou ao espírito de maneira geral. Outro detalhe é a construção dos círculos, que representam as lojas maçônicas, e os compassos, que geram os pontos iniciais.

O esquadro é o resultado da união da linha horizontal com a vertical, ou seja, a ação do homem sobre a matéria e sobre si mesmo. Também é considerada um símbolo de retidão, pois a doutrina é bem clara no que diz que os indivíduos devem regular suas ações e condutas pela linha gerada pelo Criador.

A letra "G" representa a geometria como a principal ciência maçônica. Mas há aqueles que defendem uma referência a G (Deus em inglês) ou um mistério que nunca foi revelado. Veja bem, todos os símbolos na maçonaria tem um significado filosófico intelectual, mas nenhum arremete à divindade malígna como propagado na rede social.

Dia da maçonaria no Brasil

Relatos históricos mostram que no dia 20 de agosto de 1822 o maçom Gonçalves Ledo teria feito um discurso emocionante e inspirador, pedindo a Independência do Brasil ainda naquele ano. Ele, que ainda é apontado como o integrante de maior destaque na maçonaria brasileira que também teve o ex-imperador Dom Pedro II, era também um jornalista e político liberal, portanto, tinha influência na sociedade da época.

O discurso feito naquele dia trouxe impactos diretos no momento político que o Brasil vivia. Os relatos da época reforçam que foi por impulso da sociedade maçônica que o príncipe regente Dom Pedro I teria proclamado a Independência do Brasil no dia 7 de setembro daquele ano, ou seja, menos de um mês do dia em que o famoso texto foi declamado. Com isso, a data de 20 de agosto passou a ser conhecido como o Dia do Maçom Brasileiro. TFA.


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