Em fotos: Os últimos dias dos samurais

Fotógrafo britânico-italiano capturou guerreiros em ação na sua última guerra - e muito mais

Fábio Marton Publicado em 22/06/2017, às 12h30 - Atualizado em 23/10/2017, às 16h35

Aparentemente, ninguém pediu para dizerem 'giz'
Aparentemente, ninguém pediu para dizerem 'giz' - Felice Beato
FOTO-HISTÓRIA


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Ninguém nunca vai ver uma foto de um cavaleiro ocidental. Mas de seus análogos no Japão, os samurais, elas existem em abundância. De fato, a primeira fotografia da história do Japão é de um de seus chefes, o daimiô (senhor feudal) Shimazu Nariakira, em 1857: 


Wikimedia Commons

Os Shimazu controlavam o Domínio de Satsuma, a ilha de Kyushu, ao sul do território principal do Japão, Honshu. Os samurais acima respondiam a Shimazu Hisamitsu, irmão do primeiro fotografado, que controlou informalmente o clã após sua morte. A foto foi tirada pelo ítalo-britânico Felice Beato, um fotojornalista famoso por suas imagens do Oriente, que havia chegado ao Japão em 1863 e foi pego em meio à maior revolução da história do país. As cores foram pintadas sobre as fotos, usando técnicas em aquarela que ele aprendeu dos próprios japoneses.

Os personagens estão planejando uma batalha da Guerra de Boshin, em 1868 ou 1869. Foi uma revolta contra a modernização e ocidentalização do país conduzida pelo xogunato, para restabelecer o poder do Imperador.

Por mais de dois séculos, antes mesmo da consolidação do poder absoluto pela família Tokugawa, o imperador não mandava em nada. Era o xogum, espécie de ditador militar, quem controlava o destino do país. Os xoguns mantiveram o Japão fechado para o resto do mundo. Mas tudo isso havia mudado em 1854, quando um navio americano abriu fogo na Baía de Edo (hoje Tóquio), demonstrando o perigo do atraso causado pelo fechamento. O xogum abriu o país – e isso tocou nos brios nacionalistas de samurais e seus senhores. 

A guerra foi paradoxal. Foi travada por samurais, mas com canhões, navios a vapor e fuzis de repetição. Os tradicionalistas por trás do imperador venceram porque tinham mais armas modernas (note o samurai num uniforme ocidental). 

Antes mesmo do fim da guerra, o imperador empoderado pelos tradicionalistas abraçava a modernização ocidental. Em seu reinado, Meiji tornou o Japão uma potência industrial.


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