Galeria União Soviética

Apagados da História: A fotomanipulação da Era Stalin

Fotografia oficial soviética tentou reescrever o passado, literalmente desaparecendo com antigos aliados caídos em desgraça

quarta 2 maio, 2018
O líder soviético alterou o passado por meio da manipulação fotográfica
O líder soviético alterou o passado por meio da manipulação fotográfica Foto:AH

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Memória apagada

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Em 1924, após a morte de Lênin, principal líder da revolução bolchevique de 1917, Leon Trotsky e Josef Stalin passaram a dividir a influência sobre o partido comunista que, na prática, governava a União Soviética. Depois de intensa disputa interna, em 1925 Stalin assumiu o poder e tratou de eliminar a memória do rival. Numa das imagens mais famosas da revolução, Lênin discursa em frente ao Teatro Bolshoi em 1920, durante a guerra civil russa. Repare que Trotsky, que aparece acima nos degraus do palanque, desapareceu.

O fantasma da revolução

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Defensor da “internacionalização” da revolução comunista, Trotsky (batendo continência na foto) era uma pedra na bota de Stalin, que pretendia consolidar o poder “apenas” no Estado soviético. Expulso da União Soviética em 1925, Trotsky acabou assassinado em 1940, no México, e foi, pouco a pouco, apagado de documentos e fotografia.

Falsa intimidade

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Aparecer ao lado de Lênin era uma forma de posar como seu legítimo sucessor e de herdar a popularidade do líder. Stalin mandou produzir estátuas, pinturas e fotos falsas, forjando uma proximidade entre os dois que nunca existiu.

Quatro, três, dois, um

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A partir de 1934, a União Soviética viveu o período conhecido como o “Grande Terror” em que adversários declarados, potenciais ou mesmo suspeitos de oposição ao regime foram perseguidos. Em menos de dez anos, ocorreram cerca de 800 mil assassinatos políticos. Entre essas vítimas havia muitos líderes e companheiros de outros tempos. A foto ao lado mostra a cúpula do partido comunista em 1926: ao Aldo de Stalin, estão Nikolai Antipov, Sergei Kirov e Nikolai Shvernik. Com os sucessivos expurgos, eles foram sumindo um a um, até que sobrasse apenas uma pintura a óleo inspirada nas fotografias.

Publicidade comunista

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Adulterar fotos era uma prática anterior ao governo de Stalin. Em 1917, o cartão-postal de uma passeata de soldados em Petrogrado teve a placa ao fundo alterada. A frase “relógios – prata e ouro” foi trocada para “Lute pelos seus direitos”. E a bandeira antes ilegível passou a dizer “Abaixo a monarquia. Longa vida à república!”.

Censura dentro de casa

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O comissário do partido Nikolai Yezhov, executado pela polícia secreta em 1940, desapareceu da foto oficial ao lado de Stalin. Seus familiares, com medo de ter o mesmo fim, riscaram suas fotos dos álbuns de família.

Leandro Narloch

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