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A piscina do ódio

Empresário racista usou ácido para tentar expulsar militantes negros

sexta 16 novembro, 2018
Jimmy Brock jogando ácido nos manifestantes negros
Jimmy Brock jogando ácido nos manifestantes negros Foto:Horace Cort

O homem de óculos escuros chamava-se Jimmy Brock e o que está nas mãos dele é um galão de ácido clorídrico. O que ele está fazendo é exatamente o que parece: envenenando uma piscina cheia de gente. 

Era 8 de junho de 1964 e Martin Luther King Jr. acabava de ser expulso de um restaurante somente para brancos no mesmo estabelecimento, o Monson Motor Lodge, um motel – o que, nos Estados Unidos, quer dizer apenas um hotel barato e com estacionamento, para abrigar pessoas em meio a uma viagem. Brock era o proprietário e gerente do motel. 

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A invasão do restaurante era parte dos protestos pelos direitos civis na cidade de Saint Augustine, na Flórida. A tomada da piscina foi um protesto dentro do protesto – após a expulsão do líder do restaurante, os manifestantes negros entraram numa piscina igualmente segregada, acompanhados por simpatizantes brancos. Não havia real perigo de alguém ser queimado por ácido. A concentração de um galão numa piscina é praticamente irrelevante. Os manifestantes sabiam disso, e não arredaram o pé. 

Nesse gesto não apenas odioso, como fútil, Brock entraria para a história como um dos vilões na luta dos direitos civis. Ele morreria em 2007, quatro anos após vender o motel, que foi demolido para a construção de um hotel da rede Hilton.

Fabio Marton


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