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Ulysses Guimarães contra os cães da ditadura

Na Bahia, em 1978, o deputado oposicionista quase foi atacado pelos animais da Polícia Militar

Redação AH Publicado em 13/12/2018, às 09h00

Ulysses Guimarães foi ameaçado com armas e cachorros
Luciano Andrade

Em 13 de maio de 1978, Ernesto Geisel estava no comando da ditadura militar. O deputado Ulysses Guimarães, presidente do MDB, o partido da oposição, viajou a Salvador para lançar a candidatura do correligionário Rômulo Almeida ao Senado. A Bahia era o feudo político de Antonio Carlos Magalhães, da governista Arena. O governador era seu afilhado Roberto Santos.

Havia um comício marcado para as 20h na Praça Dois de Julho, mas 400 soldados cercaram o local e ameaçaram Ulysses e sua comitiva com armas e cachorros. O deputado deu um chega pra lá nos policiais, cruzou o cordão de isolamento e fez um discurso para uma audiência de PMs.

“Soldados da minha pátria”, bradou, empapado de suor, a camisa rasgada pela truculência oficial. “Enquanto ouvíamos as vozes livres que aqui se pronunciaram, ouvíamos o ladrar dos cães lá fora!”, prosseguiu Ulysses. “O ladrar, essa manifestação zoológica, é do arbítrio, do autoritarismo que haveremos de vencer. Meus amigos, foi uma violência estúpida, inútil e imbecil. Saibam que baioneta não é voto e cachorro não é urna.”

O destino dos personagens: Ulysses, presidente da Câmara, foi o patrono da Constituição de 1988, ainda em vigor. Roberto Santos foi antecedido e sucedido por ACM no governo da Bahia. Rômulo Almeida acabou derrotado na disputa ao Senado. Todos tiveram um destino comum no governo de José Sarney, o primeiro pós-ditadura: ACM e Santos foram ministros. Almeida, diretor do BNDES.