Em imagens: A União Soviética de Stalin, em cores

Nos anos 1950, um oficial do Exército americano registrou a vida por trás da Cortina de Ferro — e acabou acusado de espionagem

terça 16 outubro, 2018
O enterro de Stalin a partir da embaixada dos EUA
O enterro de Stalin a partir da embaixada dos EUA Foto:Martin Manhoff

Em fevereiro de 1952, o major Martin Manhoff desembarcou em Moscou para servir como assistente adjunto do exército na Embaixada Americana. Unindo a vantagem concedida pelo seu novo cargo e um pouco de talento fotográfico, Manhoff começou a registrar a vida na capital e por outras partes da União Soviética. O resultado é um retrato íntimo e vívido da vida por trás da Cortina de Ferro no início dos anos 1950.

A coleção de fotos coloridas e filmes 16mm revelam o rápido desenvolvimento da infraestrutura do Estado socialista, com a construção dos arranha-céus Sete Irmãs e outros projetos que simbolizam a ascensão da União Soviética como superpotência.

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“Moscou é diferente de todas as cidades que vi. Não é Ocidental, nem Oriental, nem europeia. A maior parte da sua arquitetura é eclética, do século 18 e 19, enquanto praticamente todos os prédios novos, os ‘arranha-céus de Moscou’, são iguais aos de Nova Iorque. Mas entre tudo isso, (...) há prédios com estrutura de madeira. A maioria está recoberta com gesso, para que a construção de madeira não apareça exceto onde o gesso caiu. Por mais confuso que pareça, é tão confuso quanto tentar descrever Moscou”

- Jan Manhoff, esposa de Martin

Também trazem algo extremamente valioso para a história: a única filmagem independente do funeral de Josef Stalin, que só havia sido divulgado por mídias oficiais.

Ao lado da esposa Jan, Manhoff viajou para lugares virtualmente fechados para o mundo: Leningrado, hoje São Petersburgo; Murmansk, que abrigava parte da frota soviética; Kyiv, então capital da República Socialista Soviética da Ucrânia; e Ialta, na Crimeia. O casal também embarcou pelo menos duas vezes no Expresso Transiberiano, uma vez para a região central da Sibéria e outra para a cidade de Khabarovsk, na fronteira com a China. Tudo isso com uma câmera em mãos.

“Se você conseguir imaginar hotéis e palácios do final do século 18 e do início do 19 transformados em açougues e lojas comuns você vai ter uma imagem justa. Tudo parece estranhamente fora de compasso, nada realmente se encaixa. E nada que é vendido parece novo, tudo parece de segunda-mão. Provavelmente nenhuma imagem da ‘revolução’ seja mais clara. Os ‘trabalhadores’ conquistaram o poder e não sabem bem como lidar com tudo isso”

- Jan Manhoff

Manhoff deixou a União Soviética em junho de 1954, dois meses depois de ser acusado pelo jornal Trud de ter cometido espionagem durante a viagem no Expresso Transiberiano. Não há evidências diretas de que isso seja verdade - os registros militares não contém qualquer indício de que espionar a União Soviética era parte de sua função. Mas a recusa do governo dos Estados Unidos e da CIA em se pronunciar sobre o assunto deixa suspeitas.

Confira algumas fotos abaixo:

Ruas de Kiev, na Ucrânia

Mercado na Crimeia

Estudantes de Kolomenskoye

Universidade Estadual de Moscou

Nos trilhos do trem

Funeral de Stalin

Garotos no Monastério Novospassky

Fila para loja de alimentos em Moscou

Vitrine de loja de brinquedos em Moscou

Veículos presos em inundação na Ucrânia

Interior da União Soviética

Caminhão visto da embaixada americana 

Ruas de Moscou

Festival com a bandeira da Coreia do Norte

Algumas filmagens feitas por Manhoff podem ser vistas no The Manhoff Archive.

Paula Lepinski


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