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Frida Kahlo: Dor e orgulho

Um retrato brutalmente honesto do sofrimento em Frida Kahlo

Fabio Marton Publicado em 09/11/2018, às 14h00

La Columna Rota, de Frida Kahlo
Reprodução

Era um mundo de homens. Vinte anos após sua morte, Frida Kahlo parecia ter entrado para a história da arte como a "mulher do Diego Rivera". Foi quando, no final dos anos 1970, primeiro feministas e militantes chicanos, depois críticos de arte, a notaram.

E uma grande descoberta fizeram: uma artista que não tem similares, que retratava de forma visceral uma dor que era só dela e toda uma teia de significados caros à cultura mexicana. Desde então, ela se tornou ícone pop - não sem ironia, porque, comunista, provavelmente abominaria a comercialização de sua imagem.

Os quadros misturando imagens médicas a cenas folclóricas e surreais podem dar a impressão de uma mártir, uma sofredora. Mas Frida, se sempre atormentada por seus problemas físicos, viveu a vida como quis. Não lhe faltaram amigos, festa e diversão, sendo o centro de um grupo boêmio, passando por muitos amantes de ambos os gêneros. Frida não gostava da dor, mas amava ser Frida.

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1. Visual exagerado

Sempre exagerada nos quadros, a monocelha pode ser vista superficialmente como algo cômico ou desleixado, mas ela a usava com orgulho. A artista tinha uma imagem cuidadosamente trabalhada - seu visual era um statement, uma afirmação artística. Os vestidos e joias folclóricos eram por identificação com o povo e pátria mexicanos. Longe de se achar feia, ela considerava a sobrancelha, com os olhos, as duas melhores partes de seu rosto.

2. Dor verdadeira

As lágrimas eram bem reais. Aos 18 anos, a artista sobreviveu a um grave acidente de ônibus, que matou a maioria dos ocupantes. Uma coluna de ferro atravessou seu quadril e ela teve três vértebras deslocadas. Passou a vida toda sofrendo de dores constantes, passando por várias internações e cirurgias.

3. Coluna partida

A coluna grega partida e prestes a despencar, no lugar de sua coluna vertebral, fala tanto da autoestima no fundo elevada de Frida - é um precioso interior, e sua pele, o exterior, aparece intocada - quanto de seu precário estado de saúde. O quadro foi feito após uma de suas cirurgias na coluna, na tentativa de melhorar sua mobilidade.

4. Sonho interrompido

Frida usa um suporte médico para pólio, que a atingiu na infância, deixando sua perna direita atrofiada - algo que a incentivou a decidir pelos vestidos longos. Seus problemas de saúde impediram-na de seguir seu sonho, tornar-se médica. Mas seu interesse e conhecimento na área são evidentes em suas obras, várias das quais com elementos que parecem saídos de manuais de medicina.

5. Referência a Cristo

O pano não está aí para esconder nada. É, junto com os pregos, referência a outro sofredor e tema constante da arte, Jesus Cristo. Referência artística, não religiosa: Frida era comunista e ateia, mas a religiosidade popular inspirou sua arte, que faz referência a ex-votos mexicanos (retablos) e outros símbolos.


A Coluna Quebrada

Nome:La Columna Rota

Data: 1944

Autor: Frida Kahlo

Técnica: óleo sobre masonita

Dimensões: 39,8 x 30,6 cm

Local: Museu Dolores Olmedo, Cidade do México